segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Hoje la em casa

E lugar-comum dizer que receber pessoas e uma arte.

Pode ser que sim, o fato e que estamos ficando cada vez melhores nessa historia de hospedar eventos sociais em casa.

Um fato curioso em relacao a esta arte nao e o fato obvio de que quanto mais se pratica, melhor se fica. O que mais chama a atencao e que quanto mais longe os amigos e familia estao, mais praticamos esta arte.

A explicacao talvez seja a carencia. Longe de nossa terra, acho que ficamos mais generosos e queremos sempre servir os novos amigos e familiares criados em terras estrangeiras. Cheguei a esta conclusao depois de perceber que nao somente nos, mas outras pessoas que conhecemos e convivemos aqui em Toquio organizam e hospedam mais eventos sociais em suas casas temporarias do que em sua terra natal.

Este final de semana tivemos dois rega-bofes.

Participamos do primeiro na quaildade de convidados, na casa do Chris, que esta deixando a cidade para retornar a Nova Iorque.

Coisa simples, um evento com mais ou menos 10 pessoas, mas com muito vinho e champa. A segunda vez que vou a casa dele e a segunda vez que alguem da minha familia da PT (primeiro eu, depois a Sue). 100% de aproveitamento, um indice invejavel. Toda vez que vou a casa dele parece que volto no tempo, fico com o espirito de festa de faculdade: todo mundo enche a cara ate cair. A diferenca e que agora temos menos resistencia fisica ao alcool, o que de forma alguma significa custo menor, pois agora enchemos a cara com vinho de qualidade.

O segundo foi ontem, em casa.

A ideia inicial era fazer uma coisa menor, com umas 6/7 pessoas com o pessoal do MBA da Sue, mas a coisa acabou ficando maior do que o imaginado porque nno meio apareceram os meus amigos e no final tinha o dobro de gente. Um desafio enfiar tanta gente em um ape com menos de 60 metros quadrados, mas como resultado da experiencia adquirida com o passar do tempo – o que significa administrar a quantidade de comida e bebida, botar musica que todo mundo goste e, principalmente, deixar os hospedes confortaveis - tudo terminou bem, com os convidados voltando para casa felizes e aqueles que nao puderam aparecer ficaram com inveja daqueles que foram.

Ja esta combinado entre nos que precisaremos dar continuidade a esses eventos quando voltarmos ao Brasil.

Mas antes, precisamos arranjar um lugar para organizar o evento, qualquer que seja o numero de convidados.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Momento twitter

No momento estou planejando a escalada noturna dos quase 3800 metros do Monte Fuji, a montanha mais alta daqui.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Edicao limitada, ainda bem

Os fabricantes japoneses adoram um produto de edicao limitada no Japao.

O Kit Kat, aquele chocolate que parece o Bis, e o mais prodigo deles. Toda semana tem um produto novo. Desde que aqui aportei vi uma infinidade deles: banana, cerejeira, cha-verde, farinha de soja, morango, melao, shoyu, manga, vinho branco chardonnay, frutas citricas, frutas vermelhas, feijao doce japones, tropical Brazil (seja la o que signifique isso) enfim, para todos os gostos.

E realmente tem gosto pra tudo.

Por exemplo, tem quem goste de Pepsi de pepino, um sucesso de vendas um tempo atras que se esgotou rapidamente.

Agora fiquei sabendo de um dos mais estranhos produtos lancados por aqui (foto abaixo, a direita).

Aproveitando o fato de se tratar da epoca de enguias – uma iguaria por si so considerada exotica por muitos ocidentais -, a Japan Tobacco lancou uma bebida energetica com sabor de enguia, que segundo o fabricante ajuda o japones a enfrentar o calor somaliano do verao niponico, gracas a profusao de vitaminas A, B1, B2, D e E contidos no peixe e aos extratos extraidos da cabeca e ossos desse ser delgado.

Para acompanhar, recomendo um dos 100 sabores exoticos de sorvetes que podem ser experimentados e adquiridos na “Exposicao de Sorvetes” em cartaz em Yokohama: lingua de boi, ourico do mar, sashimi de cavalo, e claro, enguia. Da para brincar de fazer
harmonizacao.






Sorvete de polvo e lingua de boi

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Breaking news!

Os jornais japoneses publicam as informacoes recebidas dos verdadeiros “clubinhos de jornalistas” que mantem uma relacao promiscua com as fontes.

Como resultado, todos os jornais e telejornais publicam sempre as mesmas informacoes e trazem sempre mais ou menos os mesmos comentarios, nao sendo possivel distinguir posicionamentos claramente dissoantes entre os diversos veiculos tampouco pluralidade de ideias, nao obstante a grande quantidade de grandes jornais em circulacao.

Talvez esta escrita tenha sido quebrada recentemente pela edicao em ingles do Mainichi Shimbun, um dos mais prestigiosos do arquipelago japones.

A edicao em ingles do dito jornal mantinha uma coluna chamada “WaiWai” que trazia artigos abordando o que seria considerado o lado mais obscuro da sociedade japonesa, principalmente em materia sexual. O problema e que a aludida coluna simplesmente reproduzia, sem indicar a origem, historias ficticias publicadas por tabloides de baixa ou nenhuma credibilidade como se fossem verdades absolutas, por mais inverossimil que fosse a historia contada. E em virtude do prestigio da edicao japonesa do jornal, a edicao inglesa tambem poderia ser vista como uma fonte confiavel de noticias aos olhos de jornalistas estrangeiros menos acostumados com a sociedade japonesa, dai imaginem o estrago causado.

Recentemente aconteceu de uma agencia noticiosa australiana publicar na terra dos coalas, como se fosse a ultima moda no Japao, um artigo sobre um restaurante supostamente localizado nos arredores de Roppongi, um dos bairros boemios de Toquio, que permitia que os seus clientes comessem o prato antes de come-lo, ou seja, estimulava a pratica de zoofilia e depois preparavam o mesmo animal objeto da pratica sexual para servir de alimento (pelo menos ninguem podia reclamar se surgisse um pelo no prato). Outro jornalista menos informado ainda espalhou a noticia de que era comum as maes japonesas pagar um boquete nos proprios filhos para que eles ficassem menos estressados com a vida escolar (se bem que um medico brasileiro ja me contou uma historia de uma mae que foi flagrada em um hospital brasileiro fazendo a mesma coisa para acalmar o filho com retardo mental que se encontrava internado sob a justificativa de que aquilo era a unica coisa que o acalmava...).

Coisas que uma pessoa que reside no Japao sabe que esta muito longe da realidade, ainda que o Japao seja um lugar estranho, bizarro e principalmente hipocrita em se tratando de praticas sexuais.

Como resultado, a referida coluna foi extinta, o editor responsavel punido e o jornal obrigado a divulgar um pedido publico de desculpas, especialmente as japonesas, quase sempre retratadas como pervertidas e doentes.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Lei Seca

Inconstitucionalidades a parte, a tal da “lei seca” brasileira preve penas ainda brandas se comparada a lei equivalente em vigor do lado de ca do globo.

Desde setembro de 2007, o motorista que for flagrado sob influencia de alcool (tolerancia equivalente ao da lei brasileira), corre o risco de tomar uma multa de ate 500 mil ienes ou mais de US$ 4.600 e pena de detencao de ate 3 anos em regime fechado. Se o motorista se envolver em acidente com vitima e nao prestar socorro, a multa pode subir para ate 1 milhao de ienes e pena de detencao de ate 10 anos. Caso a vitima morra, a pena de detencao sobe para ate 15 anos. Motorista que se recusar a fazer o teste do bafometro toma multa de 500 mil ienes e corre o risco de permanecer preso por ate 3 anos.

Mas talvez o grande diferencial da lei daqui e que ate o passageiro, portador de habilitacao ou nao, pode ser multado por i) permitir que um sujeito alcoolizado pegue o volante ou ii) oferecer bebida a alguem que va pegar o volante. A multa aos passageiros varia de 300 mil ienes ou 1 milhao e pena de dois a cinco anos de prisao, dependendo da situacao. O mesmo vale para o estabelecimento que oferecer bebida alcoolica a alguem motorizado.

Nao facam perguntas dificeis do tipo como se faz para identificar o estabelecimento que deu cachaca pro pudim de cana.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Big Mac Index

Saiu o mais recente “Big Mac Index”.

Segundo ele, no Brasil come-se o terceiro “Big Mac” mais caro do mundo e no Japao, o 33º., de uma lista de 45 paises. Sai no Brasil a R$ 7,50, equivalente a US$ 4,73, enquanto no Japao sai a 280 yens, equivalente a US$ 2,62.

O Big Mac brazuca vale quase o dobro do japones.

Veja bem, nao estou dizendo que e sempre mais barato comer em Toquio.

Hoje mesmo o Ryan veio contar vantagem de que foi ao unico restaurante de grelhados com estrela do Michelin em todo o mundo, onde ele pagou 30.000 yens ou R$ 450,00 por um bife sem acompanhamento nenhum. Ainda que ele tenha babado bastante ao comentar a ida ao restaurante e ainda que seus olhos brilhassem quando relatava que foi a melhor refeicao que teve na vida, fico reticente em gastar tanta grana em apenas 400 gramas de carne.

Mas se tem o 80, tem o 8 tambem.

Em Toquio, por 1000 yens ou cerca de R$ 15,00 (dois “Big Mac” brasileiros), da para ter uma refeicao pelo qual se pagaria R$ 30/40 em SP, ou seja, uma refeicao boa servida no prato e acompanhada de uma salada ou sopa, as vezes os dois juntos.

Nao sei como andam os precos no Brasil, mas com R$ 15,00 no bolso ainda da para pedir um prato comercial em um boteco pe-sujo do Centro de Sao Paulo?

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Saudades dos amigos 2

Agora que meu pai foi embora, consegui arranjar um tempo para postar alguma coisa por aqui.

Adorei a visita dele, foi bom reecontra-lo depois de tantos meses. Quando estive no Brasil no final do ano passado, comeco deste, quase nao tive tempo para conversar com ele, tamanha a quantidade de compromissos, natural para aquela epoca do ano.

Ele passou somente algumas noites em casa, pois depois de mais de 10 anos sem vir para ca, ele tinha muito papo para colocar em dia, seja com familares, seja com amigos , razao pela qual ele acabou pernoitando grande parte das vezes fora de casa.

Vi que a viagem fez bem a ele, estava feliz feito uma crianca. A minha avo, ja com 90 anos, idem; nao cansava de repetir que achava que nao ia mais reencontrar o filho antes de morrer. Um amigo do meu pai, que eu tive a oportunidade de conhecer quando ainda era crianca, tambem, feliz da vida, dizia que ate morrer queria encontrar com meu pai pelo menos mais duas vezes.

Isso me fez pensar sobre reecontros. Quando sera que iremos reecontrar as pessoas que conhecemos por aqui? Daqui a pouco, os amigos do MBA, do trabalho, estarao todos em lugares diferentes do globo (posso citar Canada, Australia, EUA, Alemanha, Republica Checa, Inglaterra, Japao, Malasia, Franca, China, India, Mianmar, Taiwan...). Quando sera que havera um reencontro?

Sempre que junta gente de diversos cantos do mundo, pouco antes da separacao sempre surge a ideia de realizar encontros periodicos em algum lugar do globo. Pergunte-me se alguma vez isso aconteceu...Infelizmente as pessoas ficaram pelo caminho, o que mostra (vide o exemplo do meu pai) que so quem conhecemos quando jovens, os amigos que fizemos na infancia e na adolescencia e que ficam para sempre. No mais, voce se acostuma a encontrar e se despedir de pessoas com a mesma frequencia com que se troca o carro. E nunca mais ve-las, assim como o carro que foi vendido.

Tristeza que nem os Facebooks e outras redes sociais ciberneticas da vida conseguem acabar.

Tenho saudades dos meus amigos de verdade.

terça-feira, 22 de julho de 2008

To em falta

Sei que estou em falta, ja ate ouvi reclamacoes a respeito.

Mas a semana passada foi corrida: um volume atipico de transacoes para analisar; meu pai estava (na verdade ainda esta) na cidade; no final de semana prolongado viajamos para visitar os familiares e apresentar a Sue a eles (foi praticamente um road show); tivemos inumeros jantares durante a semana, seja com amigos, familiares, amigos do meu pai; tivemos que nos virar para preparar os convites do casorio (homemade mas absolutamente incriveis, com uns papeis tipicos japoneses que nao da para encontrar no Brasil), enfim, aquela correria, aquele mata-leonismo diario.

Assim que conseguir dar uma respirada penso em alguma coisa pra postar.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Arroz com vinagre

Bakagai: Molusco de uma cor laranja bela e chamativa. O musculo adutor do molusco, chamado kobashira, e servido separadamente em forma de gunkan.

Batterazushi: Oshizushi coberto com cavala.

Buri: Olho-de-boi velho. Se o mesmo tipo de peixe for jovem recebe o nome de hamachi.

Buri Toro: E a parte nobre e gordurosa do abdomem do olho-de-boi. Extremamente saboroso.

Chirashizushi: Tigela de arroz de sushi coberto por peixe cru e vegetais.

Chu-Toro: Parte superior do abdomem do atum, e a segunda carne mais nobre deste peixe.

Daikon: Nabo, onipresente nos combinados de sushi, juntamente com o gari e o wasabi.

Ebi: Camarao. Cozido e servido na forma de sushi, nao e considerado uma iguaria, diferentemente do ama-ebi, ja apresentado anteriormente, que alem de ser de uma especie diferente (menor e mais delicado) e servido cru.

Edamame: Soja cozida no vapor e salgada, um dos aperitivos mais populares do arquipelago.

Engawa: Parte traseira do linguado. A porcao proxima ao rabo tem uma textura mais aplumada; bastante apreciada pelos connoisseurs.

Fugu: Baiacu. Peixe mais famoso pela experiencia de se come-lo do que pelo sabor em si. Um mega-master chefe serve nao somente as partes nobres (toro, a parte gordurosa, a parte traseira e proxima do rabo) mas tambem o intestino, o figado, a pele mas tambem o “saco de esperma”, conhecido como fugu no shirako.

Fukusazushi: Tipo de sushi no qual o peixe e enrolado em uma fina camada de crepe de ovo. Fukusa significa “quadrado/embrulho de seda”. Sedas em forma quadrada sao frequentemente usadas no Japao como embrulho de artigos preciosos para serem presenteados.

Funamori: Tambem conhecido como gunkan, e um tipo de sushi, cujo formato lembra um barco.

Futomaki: Palavra japonesa que literalmente significa “enrolado grosso” (os malediscentes que entendam o que quiserem com isso). Sao mais robustos que os makis normais. Talvez o representante mais popular sao os sushi no estilo “california”.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Para evitar o "jeitinho japones" ou de como me acostumei com a falta de flexibilidade

Mal comecou a utilizacao em todo o pais do Taspo Card – um cartao magnetico fornecido somente para adultos que serve para “destravar” as "vending machines" de cigarros – algumas empresas do ramo anunciaram a viabilidade comercial de um aparelho que permite a determinacao da idade dos usuarios destas maquinas atraves da analise da sua estatura, da densidade ossea e estrutura do cranio. Isso em tese evitaria que algum “dimenor” de posse do cartao magnetico possa comprar um cigarro, violando as regras vigentes. O governo ja anunciou o apoio a essa iniciativa e existe a possibilidade concreta deste aparelho ser acoplado a todas as "vending machines" de cigarros do pais em um futuro proximo.

Nao que eu me preocupe com isso, afinal por ora posso dizer que permaneco vitorioso na minha centesima trigesima oitava tentativa de parar de fumar, mas me pergunto se essa maquina tem a capacidade de distinguir um adolescente alto de uma crianca cabecudinha e um anao de um macaco alado treinado (o exemplo do anao foi so para dizer que e tao comum encontrar anoes por aqui quanto encontrar um macaco alado).

Vending machines, alias, sao as coisas mais onipresentes no Japao. Deveria ser a primeira coisa a vir a cabeca quando se pensa em Japao, em vez de sushi, karaoke e otaku. Em cada esquina, sem qualquer exagero, existem dezenas de maquinas destas, que vendem nao somente cigarros, mas tambem bebidas, revistas, camisinhas, aparelhos eletronicos, roupas, objetos de decoracao, comida empratada (e quente!)... Absolutamente tudo pode ser encontrado nestas maquinas.

No Japao, interagir com robos na hora de fazer compras nao e coisa ficcao cientifica.

De tao treinados e obedientes que os funcionarios sao, a instrucao para sempre solicitar ao cliente para conferir o troco provoca situacoes extremas como o troco para a conta de 999 yens paga com nota de 1000 vir sempre acompanhado de um pedido para a conferencia do troco. Por sua vez, os atendentes do Starbucks, de tao treinados a perguntarem aos clientes se o cafe sera tomado na loja ou nao, perguntam aos clientes que querem comprar so o po de cafe ou a caneca se o produto sera consumido no local ou em casa. So uma maquina para conseguir seguir as instrucoes tao ao pe da letra. Ou lusitano. Ou japones.