quinta-feira, 1 de maio de 2008

Q&A

Querido blogue,

Essa vida de blogueiro nao e mole.

Seria mais facil se esse bloque fosse como os outros 99 por cento, cuja tematica e diario adolescente ou putaria. Ou os dois, no caso dos blogues pedofilos. Mas nao, resolvi comecar a escrever sobre a minha vida no Japao.

Quase um diario adolescente, algum piadista pode dizer. Ok, concordo, e quase isso, mas o objetivo inicial era ficar relatando so as coisas engracadas que vivo no dia-a-dia.

O problema e que depois de tanto tempo, a piada comeca a perder graca. Alguem ri da mesma piada duas vezes? Depende de quem conta, mas pelo fato de eu sempre esquecer a moral das piadas, como piadista sou um otimo advogado. Dai a dificuldade de manter uma postagem regular.

Fora que as vezes quero contar umas historinhas mas a minha criatividade nao esta bem calibrada e dai os textos saem um lixo. Dai penso em publicar depois, mas dai ja nao e mais a mesma coisa porque a historia ja esfriou e o impacto do relato virou po.

Era tanta falta de inspiracao que uma epoca ate cheguei a pensar em colocar receitas no ar, mas ate isso nao deu certo porque nunca sei as medidas que uso e as minhas tentativas acabaram se limitando a relatar o nome do prato preparado no dia.

Foto seria uma salvacao, mas hoje em dia estou com tanta imagem arquivada que e contra-producente escolher uma ou outra so com o unico objetivo de ficar enchendo este espaco virtual de linguica.

E outra, agora to comecando a achar muito mais bizarro viver no Brasil.

Essa coisa do Fofomeno, por exemplo. O cara pode pegar e pagar quem quiser, mas foi procurar logo um travecao, daqueles grotescos que ficam em Copacabana. Porra, tem coisa mais engracada do que essa? A recente historia de que um jogador de futebol de um time de ponta da primeira divisao japonesa sofreu condenacao pelo furto de calcinha e coisa de mirim.

E terremoto? Caguei, nao no sentido de borrei a cueca, mas no outro sentido da palavra. Todo dia convivo com um, ja nem me importo mais com as loucas que caem do armario.

Eu poderia mudar o foco e comecar a contar piada para os japoneses. Mas humor japones e uma coisa complicada. Pra comecar, os caras nao conhecem ironia porque eles sao muito literais. E dai eu fico sem instrumento de trabalho. E nao sou capaz de fazer o humor japones, baseado na escatologia ou em trocadilhos infames. Ou humor pastelao, no estilo “Os tres patetas”. Quer dizer, coisas que poderia achar engracado la nos meus 10, 11 anos, nao hoje.

Entao so me resta uma saida para manter este troco vivo ate eu voltar ao Brasil: institucionalizar uma sessao de perguntas e respostas. Pelo menos assim tenho um tema sobre o qual trabalhar e ainda posso dizer que este e um espaco interativo e democratico. Veja a seguir as respostas cretinas a algumas das milhares de perguntas idiotas ja recebidas.

"Tem muita gueixa ai?"
Felipe Silva, de Pindamonhangaba, Brasil

Felipe, nao sei que tipo de tara voce tem, mas tem que ter alguma para fazer esse tipo de pergunta. Para facilitar o seu entendimento, vou permanecer nesta seara das taras. Com qual frequencia voce encontra uma “drag queen”? Se voce nao for o Fofomeno, poucas vezes. Entao, se voce entende que e normal nao encontrar uma “drag queen” a toda hora, vai entender que nao e sempre que se ve uma gueixa dando sopa por ai. Mas se o Felipe Silva e um “amigo” do Fofomeno e quer encontrar uma “drag queen” a toda hora, voce tambem pode, basta conhecer os locais certos e ir nos horarios certos. Esta afirmacao tambem se aplica no caso das gueixas.

"No Brasil vendem uma imagem de que e “cool” ser “cosplayer”. E verdade?"
Ed “The Kat”, de Nova Iorque/EUA

Ed, nao acredite em tudo o que voce le, principalmente no Brasil, onde os materiais escritos sao de baixissima qualidade e muito baseado no achismo. Ao contrario do que voce viu (sim, "viu") naquela revista que chega toda a semana na sua casa, “Cosplayer” japones e tao “loser” quanto “cosplayer” brasileiro. Alias, nao comer ninguem e um pressuposto logico e necessario para ser “cosplayer” em qualquer lugar do mundo. Mas como essa coisa de "cosplayer" tambem acaba chegando de uma forma meio deturpada do outro lado do mundo, vou citar um exemplo mais paulistano: pessoas desejam ter um filho "cosplayer" tanto quanto gostariam de ter um filho "emo".

"Come-se sushi e sashimi todo dia?"
Xisto, do Centro de S. Paulo, proximo da Nova Deli.

Sim, sempre tem alguem comendo sushi e sashimi por aqui. Ate porque o Japao e o unico do lugar do mundo em que se come sushi e sashimi. Ajuize contra os "japoneses” dos Jardins e Itaim que voce frequenta, porque bolinhos de arroz socado por maos baianas nao se enquadra nesta categoria.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Um problema cabeludo

De tempos em tempos da dos adevas estrangeiros estarem todos cocando o saco ao mesmo tempo e dai comeca uma maratona de e-mails sacaneando um ao outro.

A ultima destas series durou toda uma manha e iniciou-se com uma discussao do tipo “onde vamos almocar hoje” e terminou com um debate acalorado sobre o mais cabeludo dos problemas japoneses.

Este assunto e tao sensivel que uma conversa acerca do tema uma vez quase acabou em briga.

Em um happy hour que misturava locais e gringos, a Sue resolveu confessar que o que mais a chocou na primeira vez que ela foi ao banho termal (doravante “onsen”) nao foi o fato de um monte de gente tomar banho junto, mas o fato da mulher japonesa nao atacar um problema que afige a todos da forma como ele deve ser atacado. Dizia a Sue que ela teve muito, mas muito medo disso, afinal ela nao tinha visto nada parecido antes. Quem veio do oeste borrou a calca de tanto rir mas as locais ficaram todas enfurecidas por um assunto tao sensivel ter sido colocado na mesa.

Realmente, para os ocidentais acostumados com a grama impecavelmente aparada dos jardins ingleses, nao e facil conviver com a floresta tropical de Borneo nem com o espirito “eco” levado as ultimas consequencias.

De fato, um problema muito, mas muito cabeludo.

Brazilian wax faz sucesso no mundo inteiro; o problema e que as japonesas frequentam a mesma depiladora da Claudia Ohana e Vera Fischer.