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domingo, 12 de outubro de 2008

Em um futuro próximo...

Estive as últimas semanas envolvido no processo de mudança de continente e não tinha tempo para postar nada. De volta ao Brasil, mergulhei no processo de organização do casório e procura de apartamento, então também não tive tempo de postar.

A verdade é que este blog acabou entrando num processo meio de limbo, pois ainda estou trabalhando a decisão de encerrar de vez o blog ou se vou postando de vez em quando alguma coisa que der na telha.

Enquanto nenhuma decisão é tomada, preciso logo confessar que fiquei assustado com o trânsito de São Paulo.



O que presenciei logo na primeira semana de Brasil foram motociclistas andando pela calçada e avançando sobre quem estivesse sobre ela, motoristas barbarizando pedestres que estão tentando atravessar a rua sobre a faixa de pedestres, caos e desordem provocada pela pressa e pela vontade de querer antes de mais se dar bem, disposição dos carros parados nos congestionamentos que lembrava uma cena de destruição causado por algum desastre natural, pessoas nervosas que não pensam 2 vezes antes de afundar a mão na buzina, ruas esburacadas e horrorosas, medo de ser atacado, abalrroado, assaltado.


O futuro próximo de Mad Max já chegou.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Ame-o ou deixe-o ou welcome to the jungle


Comeco a pensar se foi mesmo uma boa ideia retornar agora ao Brasil.

Onde fica mesmo a saida mais proxima para a civilizacao?

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Podem me chamar de idiota, mas nao vou tirar carteirinha de estudante

Em um pais civilizado como o Japao, a aquisicao de um ingresso para um evento hiper-mega concorrido nao exige preparacao fisica ou aquisicao de material de camping. Basta um calendario e uma agenda organizada.

Chegado o momento em que os ingressos comecam a ser vendidos, faz-se um telefonema ou manda-se um e-mail para a organizacao e de pronto eles lhe mandam uma senha, que deve ser informada em qualquer loja de conveniencia, pagar o valor em dinheiro, celular, qualquer cartao de credito, debito e ter em segundos os ingressos desejados. Sempre saimos limpinhos depois do processo de aquisicao dos ingressos.

Por desejar uma nacao com uma dose menos cavalar de selvageria, voltando ao Brasil vou ver quanto tempo sobrevivo sem recorrer ao jeitinho, a malandragem ou a carteirinha de estudante.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Esforco olimpico

Tempos de olimpiadas, tempos em que todo o mundo tem o mesmo assunto.

As disputas da natacao sao sempre emocionantes, com os franceses perdendo nos 4 x 100 m livre para dos americanos so porque eles se deixaram levar pelo patriotismo besta e nao usaram os super-mega-hiper-maios da britanica Speedo.

Mas preferia evitar estes papos olimpicos com meus colegas de firma.

Tenho vergonha de dizer que o Michael Phelps ganhou sozinho so nesta Olimpiadas mais medalhas em numeros absolutos do que a elite esportiva que esta quase ganhando diversas medalhas de bronze em Pequim. Ate mesmo porque inevitavelmente chegaria a um ponto em que teria que dizer que o Michael Phelps em duas olimpiadas conquistou quase o mesmo numero de medalhas de ouro que o Brasil nas 28 edicoes anteriores das Olimpiadas de Verao da era Moderna.

Nestas semanas em que rola a Olimpiada, estou japones e feliz pelos ouros no judo, natacao e goleada da selecao feminina de futebol sobre a Noruega.

GAMBARE NIPPON!

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Big Mac Index

Saiu o mais recente “Big Mac Index”.

Segundo ele, no Brasil come-se o terceiro “Big Mac” mais caro do mundo e no Japao, o 33º., de uma lista de 45 paises. Sai no Brasil a R$ 7,50, equivalente a US$ 4,73, enquanto no Japao sai a 280 yens, equivalente a US$ 2,62.

O Big Mac brazuca vale quase o dobro do japones.

Veja bem, nao estou dizendo que e sempre mais barato comer em Toquio.

Hoje mesmo o Ryan veio contar vantagem de que foi ao unico restaurante de grelhados com estrela do Michelin em todo o mundo, onde ele pagou 30.000 yens ou R$ 450,00 por um bife sem acompanhamento nenhum. Ainda que ele tenha babado bastante ao comentar a ida ao restaurante e ainda que seus olhos brilhassem quando relatava que foi a melhor refeicao que teve na vida, fico reticente em gastar tanta grana em apenas 400 gramas de carne.

Mas se tem o 80, tem o 8 tambem.

Em Toquio, por 1000 yens ou cerca de R$ 15,00 (dois “Big Mac” brasileiros), da para ter uma refeicao pelo qual se pagaria R$ 30/40 em SP, ou seja, uma refeicao boa servida no prato e acompanhada de uma salada ou sopa, as vezes os dois juntos.

Nao sei como andam os precos no Brasil, mas com R$ 15,00 no bolso ainda da para pedir um prato comercial em um boteco pe-sujo do Centro de Sao Paulo?

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Nunca fui um aficcionado mesmo

O Facebook (o Orkut que deu certo) esta para o mundo assim como o Orkut esta para o Brasil.

E agora tem Facebook em portugues.

Questao de tempo para virar bagaceira. Ou em tucanes, ficar democratizado.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Ando gastando energia tanto quanto um brasileiro

Li outro dia uma reportagem na Folha dizendo que a classe media brasileira e ecologicamente inviavel. Tal comportamento exemplar fez com que a revista “Wired” passasse a denominar de “1 brasileiro” a unidade-padrao de contabilizacao de desperdicio de recursos naturais.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Assim ja e demais!


Ja tem gente que esta achando que sao reais as chances do Rio de Janeiro acomodar os Jogos Olimpicos de Verao de 2016.

E tem desequilibrado que fica apontando os Jogos Panamericanos como uma das vantagens competitivas. Como se o fato de receber jogos do Campeonato Mato-grossense habilitasse um estadio a receber uma final de Champions League. E para tornar a situacao ainda mais patetica, ha quem queira criar coincidencias pelo fato de Londres, sede da Olimpiada de Verao de 2012, ter tambem ficado em terceiro lugar na respectiva eliminatoria. Paralelo tao descabido quanto a comparacao da Lagoa Rodrigo de Freitas com o Hyde Park ou os guardas do Palacio de Buckingham com os PMs que ficam no Palacio do Guanabara.

Mas brasileiro nao desiste nunca, fica enchendo o saco ate o final.

Notem que “apoio governamental” foi o unico criterio que deu mais pontos ao Rio em comparacao com seus concorrentes. Nao poderia ser diferente, pois e uma oportunidade de ouro – sem trocadilhos – para conseguir uns trocados.

Nos demais, foi pateticamente goleado.

Afinal, quem em sa consciencia iria trocar o sistema de transporte publico mais do que eficiente de Toquio pelo metro do Rio, que consegue ser pior que o de Sao Paulo?

No quesito seguranca, nem se fale. Se a poluicao chinesa foi capaz de afastar ate o recordista mundial de maratona da prova olimpica, o que diriam os outros atletas ao saberem que podem dar de cara,ou melhor, de cabeca, com bala perdida no trajeto ao Estadio Olimpico?

Pois o Brasil deveria se contentar so com a Copa de 2014, fruto de uma equivocada regra de rodizio de continentes, que funcionou bem enquanto as sedes estavam no hemisferio norte. Mas como felicidade de pobre dura pouco, resolveram mudar as regras do jogo quando viram que a eficiente infra-estrutura, seguranca total, estabilidade social, civilidadade e show de organizacao da Africa do Sul seria replicada em iguais proporcoes no Brasil.

E ja que toquei no assunto “exposicao do Brasil no exterior”, devo mencionar o fato de que a edicao japonesa do mes de julho da revista Elle - que a proposito saiu no final de maio - traz uma reportagem gigante sobre o Brasil e locais interessantes para se ir, dizendo, de forma irresponsavel, que agora e “hot” ir pra aquelas bandas.

Por conta disso, uma advogada que leu a revista veio me perguntar se a imagem que ela tinha do Brasil de ser um local violento era falsa, uma vez que a revista ficava mostrando o quao charmoso sao o Leblon, as lojas da Oscar Freire, restaurantes dos Jardins e outros pontos localizados no eixo Rio-Sao Paulo como se tudo isso fosse uma replica nos tropicos de Manhattan, Quartier Latin ou Omotesando.

A coitada ate se empolgou, mas tive que deixar claro que nao me responsabilizo se um moleque que acabou de fumar crack sequestra-la relampagomente (ou nao) na frente do Iguatemi porque ela ficou vacilando com a sua roupinha Prada, o sapato Jimmy Choo, o relogio Cartier e a bolsinha Chanel. Alias falei pra ela que se ela quiser usar a roupinha Prada, o sapato Jimmy Choo, o relogio Cartier e a bolsinha Chanel no Brasil, ela deveria substitui-los por “replicas” e matar dois ratos com uma bica so: vestir-se como as nativas e ainda diminuir o preju em qualquer tipo de eventualidade.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Escritorios, tremei!

A coisa comecou em 1987, quando foi promulgada a lei que permitiu que advogados estrangeiros prestassem consultoria sobre lei estrangeira por aqui. Segundo esta lei, aos estrangeiros nao era permitida a contratacao de advogados japoneses, associacao a escritorios japoneses e tampouco a prestacao de consultoria em lei local. Igualzinho ao que existe hoje no Brasil.

Os anos que se seguiram foram de atuacao estrangeira bem timida, quer pelas limitacoes legais, quer pela recessao economica.

Em 2005, no entanto, o mercado de prestacao de servicos juridicos sofreu um terremoto que devastou tudo e mudou o cenario para sempre: como fruto do lobby dos escritorios estrangeiros, empresas nacionais e internacionais, acabou aprovada a lei que permitiu a criacao de joint-ventures entre escritorios japoneses e estrangeiros.

Na teoria, significava a derrubada de todas as restricoes citadas acima. Na pratica, a tomada do mercado de assalto pelos estrangeiros.

Ate tal ano, era raro ver escritorio japones com mais de 100 advogados. Escritorio com 10 era considerado medio.

Hoje, com a instalacao de filiais do magic circle (Clifford Chance, Freshfields, Linklaters, Herbert Smith, Allen & Overy), do White & Case, Baker& Mackenzie, Orrick, Ashurst, Greenberg Traurig, Mayer Brown, Morrison & Foerster, Bingham McCutchen, Paul Hastings, dentre outros e a onda de fusoes entre escritorios locais, que se uniram para se protegerem da onda de aquisicoes por estrangeiros, ja e bem mais comum encontrar escritorios com mega estruturas localizados nos mais caros centros financeiros, centenas de advogados, paralegais e equipe de apoio, nos moldes dos grandes escritorios internacionais.

Por aqui, quem nao ficou grande acabou de fora das grandes transacoes internacionais e dos honorarios astronomicos. E viu surgir um abismo intransponivel em relacao aos grandes players do mercado.

Pois e, amiguinhos, e bom irem se preparando porque agora que comecou a onda de instalacoes de filiais de escritorios estrangeiros no Brasil, deve vir um tsunami mais pra frente; no final, so vai sobrar law firm e homens-placa na Praca da Se.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Estrela no ceu nublado


Toquio conta com casas excepcionais como o Benoit do Alain Ducasse (primeiro chefe a ter tres restaurantes em tres paises diferentes com tres estrelas cada), sem mencionar os restaurantes do Joel Robuchon (eleito “o chef do seculo” pelo guia Gault Millaut, outra biblia francesa de restaurantes), os templos gastronomicos do lendario Paul Bocuse e outros inumeros locais com a grife de outros grandes chefes mundialmente famosos.

Mas depois de ir ao Beige, tambem de propriedade do Ducasse e igualmente estrelado pelo Guide Rouge, cheguei a conclusao de que Sao Paulo, ainda que a anos-luz de ser a capital mundial da gastronomia, esta igualmente longe de ser um cemiterio. Particularmente prefiro a comida do Fasano a do Beige.

Enquanto ele existir, a Pauliceia nao tera do que reclamar. Terao um oasis no meio do deserto de sanduiches de “mortandela”, churrasco grego com vinagrete e dogao de barraca.

terça-feira, 18 de março de 2008

Triste realidade

Nao sei se aceitaram a explicacao, mas hoje tive que deixar claro que no Brasil nao e comum fazer audiencia nem negociar um contrato de M&A com um pirralho de 8 anos (ou 13, considerando o tempo que o moleque tera de frequentar a Unip de Goias e passar no Exame da Ordem).

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Parem ja com tudo!

Nao e so porque os sambas enredos estao na minha escala particular de admiracao a somente um grau acima da axe music, composicoes do Carlinhos Brown e poesias do Arnaldo Antunes que eu nao possa falar a respeito.

Principalmente agora que vi a noticia da mongoloide querendo fazer plastica para homenagear a imigracao japonesa, onde consta que a razao da insanidade e o tema do samba-enredo da Porto da Pedra, da qual a psicopata faz parte.

O que e que as escolas de samba cariocas e seus destaques entendem por homenagem?

Ja tivemos demonstracoes no passado que um ano de trabalho integral das mesmas mentes brilhantes que resolvem prestar as homenagens nao sao capazes sequer de fazer carros alegoricos andarem em linha reta por poucos metros, tampouco em criar sambas-enredos com tematica verossimil, poucas palavras no titulo e sem a repeticao incessante das palavras “Africa”, “Sapucai”, “calor” e “povo”. Entao, da para se esperar do Porto da Pedra algo que nao seja baseado em ideias estereotipadas e equivocadas, para nao dizer distorcidas?

Se fossem os brasileiros os homenageados por carros alegoricos com indios cherokees dancando a danca da chuva, por um outro chamado “lambada” com dancarinos de mambo, tudo acompanhados pela ala das brasileiras, composta por pessoas vestidas de puta, o MP rapidamente iria conseguir uma tutela antecipada em acao civil publica para impedir que a pessima ideia prosseguisse.

Japones e pacifico demais. Aposto que a colonia esta achando demais toda essa palhacada.

Carnaval

Sapucai e a sintese do pior que existe no Brasil. Agora ainda me surge mais esta.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Choque termico

E pensar que ha 3 semanas atras estava curtindo sol e praia...enquanto hoje tive que sair pra trabalhar no meio da neve.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Pobre paulista

A pequena burguesia paulistana nao sabe o que e comer direito.

Uma prova e essa odiosa febre de “restaurantes japoneses” (assim, com aspas mesmo). A cada nova casa, uma agressao contra o mais famoso dos representantes da culinaria japonesa.

E hediondo o que as pessoas conseguem fazer com um prato tao delicado. A apresentacao e sempre grotesca, os ingredientes sao um equivoco, as tecnicas sao inexistentes.

As razoes para o fracasso brasileiro sao evidentes.

Para comecar, algo minimamente aceitavel requer os peixes, os caranguejos e os moluscos certos, que muitas vezes nao sao encontrados facilmente em outras regioes no planeta (pelo menos nao nas condicoes ideias de preparo). Significa, logo de cara, que o verdadeiro sushi enquanto estado da arte so pode ser encontrado no Japao.

Mas como a adaptacao de ingredientes e (quase) sempre possivel, restaria torcer para ter um artista atras do balcao, tarefa virtualmente impossivel em Sao Paulo, dominado por gente com menos de 40 anos. O sushiman, para ser considerado e respeitado como tal, tem que ter passado por mais duas dezenas de anos de intenso treinamento, boa parte deles para aprender a preparar arroz, tao ou mais importante que o peixe.

“Restaurante japones” em Sao Paulo e so suor, nada de tecnica e risivel no aspecto comida.

E quem fala que “comida japonesa” e a sua predileta depois de comer gororoba frita preenchida de maionese e obtuso e tem mal gosto. Merece tomar tapa na orelha e nao merece meu respeito enquanto apreciador da arte de comer bem.

Nao e so o samba que encontra o seu cemiterio em Sao Paulo. O sushi jaz la tambem.

sábado, 19 de janeiro de 2008

Contra o Brasil

Nestes momentos de expatriado as coisas erradas de sua patria comecam a ficar ainda mais erradas e as coisas certas ainda mais certas, as coisas belas, mais belas, e as feias, ainda mais feias. Em outras palavras, vive-se em constante contradicao, com as saudades das coisas simples que nao encontramos no dia-a-dia no estrangeiro convivendo lado a lado com um certo prazer morbido de ficar cuspindo no proprio prato em que comeu e ficar rogando praga contra a propria nacao.

E foi mais ou menos neste clima que resolvi comecar a ler "Contra o Brasil", um livro escrito no final dos anos 90 pelo Diogo Mainardi, aquele mesmo da Veja.

O livro resume-se a uma compilacao de impropriedades e juizos depreciativos contra o Brasil que teriam sido proferidos por estrangeiros ilustres como Levi-Strauss, Albert Camus, Theodore Roosevelt, Charles Darwin, dentre outros, e tambem por outros alienigenas obscuros em suas respectivas passagens pelo pais, que sao vomitados desaforadamente pelo personagem Pimenta Bueno, um Policarpo Quaresma as avessas.

"O analfabetismo cromatico dos nossos antepassados indigenas repercutiu negativamente nas artes plasticas do Brasil, tanto que geramos os piores pintores da historia universal, como notou a educadora alema Ina von Binzer"

"O Brasil e um pais em que as melhores ideias prostram-se diante dos mais primarios instintos."

"Em quinhentos anos de historia, os indios sempre foram ludibriados no comercio com os brancos. Essa incapacidade neolitica de compreender o real valor das mercadorias se arraigou na nossa cultura e acabou distorcendo de maneira irreparavel a economia do pais, que se fundou a partir de um mercado artificial de otarios."

"A cretinice geografica e uma constante na nossa historia. E siginificativo que um pais tenha sido descoberto por puro acaso, enquanto os portugueses buscavam o caminho para a India. O Brasil e um fruto de erro de calculo."

A leitura nao foi aborrecida. Foi decepcionante. Tem algumas passagens engracadas, mas no geral achei bem chato.

Chato nao porque a obra tem o objetivo de avacalhar o pais, mas justamente pela forma como a avacalhacao foi feita. A coluna semanal do Diogo, que lia por diversao (ainda que desgoste do ar superior de sua propria pessoa), e mais provocativa e debochada do que o livro.

Mas talvez a chatice nao seja culpa do autor. A razao pode estar na proporcao continental do esculacho em si, que acaba transformando o trabalho de qualquer pessoa para rebaixar o pais, por maior que seja, em vao.

Nao e preciso gastar dinheiro comprando o livro. Da pra ler tudo em uma tarde a toa na mega store mais proxima de voce. E quem nao gosta do cara nao tem do que reclamar pois nao estara dando dinheiro a ele.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Vergonha alheia

Vergonha alheia e como depressao.

Tanto um como outro sao termos vulgarizados que acabaram por ter seus verdadeiros sentidos esvaziados. Todo mundo diz a toda hora que a tem depressao ou sentiu vergonha alheia quando na verdade nao teve nem uma coisa nem outra.

Eu nunca tive depressao no sentido clinico da palavra mas a experiencia de sofrer de vergonha alheia ainda esta fresca na memoria.

A verdadeira vergonha alheia e sentida quando na conference call a advogada do outro lado da linha nao sabe explicar em ingles os impactos tributarios de uma nova operacao no Brasil ao cliente japones.

A verdadeira vergonha alheia e sentida tambem quando uma pergunta um pouquinho mais elaborada feita em ingles e respondida pelo lado brasileiro por um "how can I explain it..." precedido por murmurios intercalados por risadinhas forcadas, logo rebatido por um silencio constrangedor pelos interlocutores japoneses.

E a verdadeira vergonha alheia e sentida quando uma pessoa e corrigida pelo japones cada vez que respondia alguma coisa que nada tinha a ver com a pergunta feita em ingles.

E tambem e sentida a cada engasgada da mulher com o seu ingles macarronico, que aumenta a vontade ja quase incontrolavel naquele momento de virar uma avestruz e morrer eletrocutada apos enfiar a cabeca na entrada USB do computador.

Ou quando a advogada brasileira pergunta ao cliente japones se ele se importa se a explicacao for feita em portugues. A cereja que faltava.

Em terra de semi-analfabetos a beira da gradacao de investimento, quem manda um "the book is on the table" porreta carregado no sotaque e Shakespeare. Ou advogado de escritorio grande.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Cidade mais feia do mundo

O que me assustou nao foi a violencia, que parece que e uma coisa que so existe no Quenia.

Mas a cidade tem muito da agressividade que nao deve existir nem em Nairobi: motoristas estressados, transito caotico, os concretos sem a maquiagem mal-feita.

E a Lei Cidade Limpa ainda fez o favor de deixar a cidade ainda mais agressiva. Sao Paulo, que nunca foi Paris, esta cada vez mais La Paz. E se a Bolivia tem o cemiterio de trens, o Brasil tem o cemiterio da arquitetura urbana.

Estao la expostos, na maior metropole brasileira, como cadaveres sendo comido aos poucos por vermes, os concretos carcomidos pela poluicao, as fachadas maltratadas pelo bolor, as estruturas metalicas expostas, as calcadas com a padronagem indefinidas, os asfaltos e calcadas mais esburacadas, os predios agredindo a visao.

Se soubessem da sujeira que estava por baixo, acho que nao teriam tirado o tapete do lugar.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Minhas ferias


Se tivesse que resumir as minhas ferias em uma palavra, ela seria comida.

Ja no primeiro dia fui matar as saudades da carne brasileira, divertindo-me horrores com a fartura do bufe e ao mesmo tempo ficando enojado com os sushis de churrascaria.


Ainda no mesmo dia fiz a via-crucis dos eventos familiares de fim de ano, agora em versao dobrada, o que exigiu bastante organizacao da agenda.

A comilanca ainda continuou no churras na casa do Ney, onde pude rever amigos, conversar com outros e tambem na festa de reveillon com ceia preparada por uma chefe de cozinha em uma praia maravilhosa.


Tudo sem contar almocos, jantares, cafes da manha e outros eventos organizados para reunir pessoas queridas.

Mas o que me fez ficar com dor na consciencia nao foram as calorias adquiridas nos 10 dias de Brasil que equivaleram a 30 no Japao, mas sim as minhas atividades culturais mais corriqueiras por aqui.


Notei que muito do que tenho a falar limita-se a maravilha que e viver na capital mais estrelada do mundo e viver comendo comida japonesa no Japao.

Preciso ir mais aos museus. De preferencia aqueles com bons restaurantes, como o Novo Museu de Arte Nacional de Toquio, que conta com uma filial da Brasserie Paul Bocuse, aqui retratada.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Brasil, meu Brasil brasileiro

O reveillon foi otimo e foi bom para relembrar o quanto e gostoso viver sob o sossego brasileiro e o clima de relaxo provocado pelo calor, que acaba deixando o povo com preguica de fazer qualquer coisa que requer um pouco mais de esforco.

Compreendi tambem porque o gringo comete a insanidade de sair de um local em que tudo funciona para ir viver no meio do mato.

A paixao tem destas coisas, torna o ser humano irracional.