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terça-feira, 4 de novembro de 2008

Já mudou alguma coisa do lado de lá


Japonês via de regra não tem qualquer entusiasmo para discutir política.

Para eles, é uma dessas coisas da vida que são inevitáveis e imutáveis, como o fato do Partido Liberal Democrata dominar o cenário político japonês por décadas.

Mas tudo muda de figura em uma sonolenta cidade portuária do Japão, onde as eleições americanas são objeto de calorosas discussões pelas ruas e objeto de matérias e mais matérias pelas televisões japonesas.

Desde as primárias existiam torcidas organizadas para apoiar o Obama e os debates eram transmitidos ao vivo pelas cidades em telões e tevês colocadas em locais de aglomeração pública. Pessoas vestidas com camisetas coloridas com os dizeres “I Love Obama” podem ser encontradas facilmente pelas ruas. Pequenas multidões não param de bradar “Obama, Obama, Obama”. Nos pequenos comércios da cidade, os comerciantes vendiam de tudo desde camisetas, sanduíches, bolos e palitinhos com o nome “Obama” estampado. Como Copa do Mundo no Brasil.

O curioso é que talvez não more nenhum norte-americano por lá. Talvez ninguém fale inglês na cidade.

Ainda assim, a cidade e seus moradores foram alvo até de agradecimento pessoal do candidato democrata. Tudo porque ela também se chama Obama.

Agora os seus moradores sonham com uma visita oficial do candidato da mudança à cidade diante da possibilidade dele se eleger o primeiro presidente negro dos EUA.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Podem me chamar de idiota, mas nao vou tirar carteirinha de estudante

Em um pais civilizado como o Japao, a aquisicao de um ingresso para um evento hiper-mega concorrido nao exige preparacao fisica ou aquisicao de material de camping. Basta um calendario e uma agenda organizada.

Chegado o momento em que os ingressos comecam a ser vendidos, faz-se um telefonema ou manda-se um e-mail para a organizacao e de pronto eles lhe mandam uma senha, que deve ser informada em qualquer loja de conveniencia, pagar o valor em dinheiro, celular, qualquer cartao de credito, debito e ter em segundos os ingressos desejados. Sempre saimos limpinhos depois do processo de aquisicao dos ingressos.

Por desejar uma nacao com uma dose menos cavalar de selvageria, voltando ao Brasil vou ver quanto tempo sobrevivo sem recorrer ao jeitinho, a malandragem ou a carteirinha de estudante.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Do Thrash Metal e "kohaku utagassen"

Assistindo a TV logo que cheguei no Japao, vi um sujeito cabeludo de rosto conhecido mandando um japones perfeito em um programa de entrevistas.

Fiquei muito tempo tentando lembrar quem era aquela figura familiar, eis que descubro que o ser era nada mais nada menos que o Marty Friedman, um dos guitarristas do Megadeth, banda americana muito influente no cenario thrash-metal/speed-metal nos anos 80/90.

O Megadeth, para quem nao sabe, era a banda “rival” do Metallica. O ponto de conexao entre as duas bandas era o Dave Mustaine, que participou do Metallica antes deles virarem Metallica. O cara era tao casca grossa e barra pesada – o maluco era traficante de drogas e acabou entrando pro mundo do heavy metal porque um de seus clientes sempre trocava drogas por discos de metal - que acabou sendo expulso da banda. Em que pese a sua expulsao, diversas musicas de sua autoria entraram nos primeiros discos do Metallica - as classicas “Kill’em All” e “Ride the Lighthning” - sendo “Four Horsemen” a mais classica de todas elas. Saiu do Metallica e montou o Megadeth, que veio a estourar nas paradas um pouco depois.

Marty Friedman hoje em dia e celebridade no Japao, onde mora desde 2003 e participa constantemente de shows televisivos.

O cara ta tao japones que ate participou de um “Kohaku Utagassen”, o programa de TV mais mega-super-hiper tradicional Japao que ja ha algumas decadas vai ao ar sempre na virada do ano. Este programa divide os cantores de destaque no cenario musical japones em dois times – o vermelho e branco, cores da bandeira nacional – que disputam ao longo de algumas horas qual o grupo que reune os melhores cantores/cantoras, que em turnos vao se apresentando ao publico e ganhando pontos atribuidos pelos jurados com base na performance visual/musical de cada um. Obviamente vence o grupo com mais pontos. Nao lembro quais sao os premios ao grupo vencedor, mas se for seguir o padrao das premiacoes dos programas de TV japoneses, talvez cada um leve para casa ao final uma cesta de frutas, 3 kilos de carne de “wagyu” ou um saco de cogumelos raros desidratados.

Acabei mudando de assunto(s) no meio do post, mas queria dizer que senti uma nostalgia incrivel quando via a figura do Marty Friedman na TV. Saudades de meus tempos adolescente head-banger. Tanto ouvia o CD dos caras – do Megadeth, que fique claro - que nao era incomum o disquinho quebrar depois de alguns meses.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Hoje la em casa

E lugar-comum dizer que receber pessoas e uma arte.

Pode ser que sim, o fato e que estamos ficando cada vez melhores nessa historia de hospedar eventos sociais em casa.

Um fato curioso em relacao a esta arte nao e o fato obvio de que quanto mais se pratica, melhor se fica. O que mais chama a atencao e que quanto mais longe os amigos e familia estao, mais praticamos esta arte.

A explicacao talvez seja a carencia. Longe de nossa terra, acho que ficamos mais generosos e queremos sempre servir os novos amigos e familiares criados em terras estrangeiras. Cheguei a esta conclusao depois de perceber que nao somente nos, mas outras pessoas que conhecemos e convivemos aqui em Toquio organizam e hospedam mais eventos sociais em suas casas temporarias do que em sua terra natal.

Este final de semana tivemos dois rega-bofes.

Participamos do primeiro na quaildade de convidados, na casa do Chris, que esta deixando a cidade para retornar a Nova Iorque.

Coisa simples, um evento com mais ou menos 10 pessoas, mas com muito vinho e champa. A segunda vez que vou a casa dele e a segunda vez que alguem da minha familia da PT (primeiro eu, depois a Sue). 100% de aproveitamento, um indice invejavel. Toda vez que vou a casa dele parece que volto no tempo, fico com o espirito de festa de faculdade: todo mundo enche a cara ate cair. A diferenca e que agora temos menos resistencia fisica ao alcool, o que de forma alguma significa custo menor, pois agora enchemos a cara com vinho de qualidade.

O segundo foi ontem, em casa.

A ideia inicial era fazer uma coisa menor, com umas 6/7 pessoas com o pessoal do MBA da Sue, mas a coisa acabou ficando maior do que o imaginado porque nno meio apareceram os meus amigos e no final tinha o dobro de gente. Um desafio enfiar tanta gente em um ape com menos de 60 metros quadrados, mas como resultado da experiencia adquirida com o passar do tempo – o que significa administrar a quantidade de comida e bebida, botar musica que todo mundo goste e, principalmente, deixar os hospedes confortaveis - tudo terminou bem, com os convidados voltando para casa felizes e aqueles que nao puderam aparecer ficaram com inveja daqueles que foram.

Ja esta combinado entre nos que precisaremos dar continuidade a esses eventos quando voltarmos ao Brasil.

Mas antes, precisamos arranjar um lugar para organizar o evento, qualquer que seja o numero de convidados.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Edicao limitada, ainda bem

Os fabricantes japoneses adoram um produto de edicao limitada no Japao.

O Kit Kat, aquele chocolate que parece o Bis, e o mais prodigo deles. Toda semana tem um produto novo. Desde que aqui aportei vi uma infinidade deles: banana, cerejeira, cha-verde, farinha de soja, morango, melao, shoyu, manga, vinho branco chardonnay, frutas citricas, frutas vermelhas, feijao doce japones, tropical Brazil (seja la o que signifique isso) enfim, para todos os gostos.

E realmente tem gosto pra tudo.

Por exemplo, tem quem goste de Pepsi de pepino, um sucesso de vendas um tempo atras que se esgotou rapidamente.

Agora fiquei sabendo de um dos mais estranhos produtos lancados por aqui (foto abaixo, a direita).

Aproveitando o fato de se tratar da epoca de enguias – uma iguaria por si so considerada exotica por muitos ocidentais -, a Japan Tobacco lancou uma bebida energetica com sabor de enguia, que segundo o fabricante ajuda o japones a enfrentar o calor somaliano do verao niponico, gracas a profusao de vitaminas A, B1, B2, D e E contidos no peixe e aos extratos extraidos da cabeca e ossos desse ser delgado.

Para acompanhar, recomendo um dos 100 sabores exoticos de sorvetes que podem ser experimentados e adquiridos na “Exposicao de Sorvetes” em cartaz em Yokohama: lingua de boi, ourico do mar, sashimi de cavalo, e claro, enguia. Da para brincar de fazer
harmonizacao.






Sorvete de polvo e lingua de boi

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Breaking news!

Os jornais japoneses publicam as informacoes recebidas dos verdadeiros “clubinhos de jornalistas” que mantem uma relacao promiscua com as fontes.

Como resultado, todos os jornais e telejornais publicam sempre as mesmas informacoes e trazem sempre mais ou menos os mesmos comentarios, nao sendo possivel distinguir posicionamentos claramente dissoantes entre os diversos veiculos tampouco pluralidade de ideias, nao obstante a grande quantidade de grandes jornais em circulacao.

Talvez esta escrita tenha sido quebrada recentemente pela edicao em ingles do Mainichi Shimbun, um dos mais prestigiosos do arquipelago japones.

A edicao em ingles do dito jornal mantinha uma coluna chamada “WaiWai” que trazia artigos abordando o que seria considerado o lado mais obscuro da sociedade japonesa, principalmente em materia sexual. O problema e que a aludida coluna simplesmente reproduzia, sem indicar a origem, historias ficticias publicadas por tabloides de baixa ou nenhuma credibilidade como se fossem verdades absolutas, por mais inverossimil que fosse a historia contada. E em virtude do prestigio da edicao japonesa do jornal, a edicao inglesa tambem poderia ser vista como uma fonte confiavel de noticias aos olhos de jornalistas estrangeiros menos acostumados com a sociedade japonesa, dai imaginem o estrago causado.

Recentemente aconteceu de uma agencia noticiosa australiana publicar na terra dos coalas, como se fosse a ultima moda no Japao, um artigo sobre um restaurante supostamente localizado nos arredores de Roppongi, um dos bairros boemios de Toquio, que permitia que os seus clientes comessem o prato antes de come-lo, ou seja, estimulava a pratica de zoofilia e depois preparavam o mesmo animal objeto da pratica sexual para servir de alimento (pelo menos ninguem podia reclamar se surgisse um pelo no prato). Outro jornalista menos informado ainda espalhou a noticia de que era comum as maes japonesas pagar um boquete nos proprios filhos para que eles ficassem menos estressados com a vida escolar (se bem que um medico brasileiro ja me contou uma historia de uma mae que foi flagrada em um hospital brasileiro fazendo a mesma coisa para acalmar o filho com retardo mental que se encontrava internado sob a justificativa de que aquilo era a unica coisa que o acalmava...).

Coisas que uma pessoa que reside no Japao sabe que esta muito longe da realidade, ainda que o Japao seja um lugar estranho, bizarro e principalmente hipocrita em se tratando de praticas sexuais.

Como resultado, a referida coluna foi extinta, o editor responsavel punido e o jornal obrigado a divulgar um pedido publico de desculpas, especialmente as japonesas, quase sempre retratadas como pervertidas e doentes.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Lei Seca

Inconstitucionalidades a parte, a tal da “lei seca” brasileira preve penas ainda brandas se comparada a lei equivalente em vigor do lado de ca do globo.

Desde setembro de 2007, o motorista que for flagrado sob influencia de alcool (tolerancia equivalente ao da lei brasileira), corre o risco de tomar uma multa de ate 500 mil ienes ou mais de US$ 4.600 e pena de detencao de ate 3 anos em regime fechado. Se o motorista se envolver em acidente com vitima e nao prestar socorro, a multa pode subir para ate 1 milhao de ienes e pena de detencao de ate 10 anos. Caso a vitima morra, a pena de detencao sobe para ate 15 anos. Motorista que se recusar a fazer o teste do bafometro toma multa de 500 mil ienes e corre o risco de permanecer preso por ate 3 anos.

Mas talvez o grande diferencial da lei daqui e que ate o passageiro, portador de habilitacao ou nao, pode ser multado por i) permitir que um sujeito alcoolizado pegue o volante ou ii) oferecer bebida a alguem que va pegar o volante. A multa aos passageiros varia de 300 mil ienes ou 1 milhao e pena de dois a cinco anos de prisao, dependendo da situacao. O mesmo vale para o estabelecimento que oferecer bebida alcoolica a alguem motorizado.

Nao facam perguntas dificeis do tipo como se faz para identificar o estabelecimento que deu cachaca pro pudim de cana.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Big Mac Index

Saiu o mais recente “Big Mac Index”.

Segundo ele, no Brasil come-se o terceiro “Big Mac” mais caro do mundo e no Japao, o 33º., de uma lista de 45 paises. Sai no Brasil a R$ 7,50, equivalente a US$ 4,73, enquanto no Japao sai a 280 yens, equivalente a US$ 2,62.

O Big Mac brazuca vale quase o dobro do japones.

Veja bem, nao estou dizendo que e sempre mais barato comer em Toquio.

Hoje mesmo o Ryan veio contar vantagem de que foi ao unico restaurante de grelhados com estrela do Michelin em todo o mundo, onde ele pagou 30.000 yens ou R$ 450,00 por um bife sem acompanhamento nenhum. Ainda que ele tenha babado bastante ao comentar a ida ao restaurante e ainda que seus olhos brilhassem quando relatava que foi a melhor refeicao que teve na vida, fico reticente em gastar tanta grana em apenas 400 gramas de carne.

Mas se tem o 80, tem o 8 tambem.

Em Toquio, por 1000 yens ou cerca de R$ 15,00 (dois “Big Mac” brasileiros), da para ter uma refeicao pelo qual se pagaria R$ 30/40 em SP, ou seja, uma refeicao boa servida no prato e acompanhada de uma salada ou sopa, as vezes os dois juntos.

Nao sei como andam os precos no Brasil, mas com R$ 15,00 no bolso ainda da para pedir um prato comercial em um boteco pe-sujo do Centro de Sao Paulo?

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Para evitar o "jeitinho japones" ou de como me acostumei com a falta de flexibilidade

Mal comecou a utilizacao em todo o pais do Taspo Card – um cartao magnetico fornecido somente para adultos que serve para “destravar” as "vending machines" de cigarros – algumas empresas do ramo anunciaram a viabilidade comercial de um aparelho que permite a determinacao da idade dos usuarios destas maquinas atraves da analise da sua estatura, da densidade ossea e estrutura do cranio. Isso em tese evitaria que algum “dimenor” de posse do cartao magnetico possa comprar um cigarro, violando as regras vigentes. O governo ja anunciou o apoio a essa iniciativa e existe a possibilidade concreta deste aparelho ser acoplado a todas as "vending machines" de cigarros do pais em um futuro proximo.

Nao que eu me preocupe com isso, afinal por ora posso dizer que permaneco vitorioso na minha centesima trigesima oitava tentativa de parar de fumar, mas me pergunto se essa maquina tem a capacidade de distinguir um adolescente alto de uma crianca cabecudinha e um anao de um macaco alado treinado (o exemplo do anao foi so para dizer que e tao comum encontrar anoes por aqui quanto encontrar um macaco alado).

Vending machines, alias, sao as coisas mais onipresentes no Japao. Deveria ser a primeira coisa a vir a cabeca quando se pensa em Japao, em vez de sushi, karaoke e otaku. Em cada esquina, sem qualquer exagero, existem dezenas de maquinas destas, que vendem nao somente cigarros, mas tambem bebidas, revistas, camisinhas, aparelhos eletronicos, roupas, objetos de decoracao, comida empratada (e quente!)... Absolutamente tudo pode ser encontrado nestas maquinas.

No Japao, interagir com robos na hora de fazer compras nao e coisa ficcao cientifica.

De tao treinados e obedientes que os funcionarios sao, a instrucao para sempre solicitar ao cliente para conferir o troco provoca situacoes extremas como o troco para a conta de 999 yens paga com nota de 1000 vir sempre acompanhado de um pedido para a conferencia do troco. Por sua vez, os atendentes do Starbucks, de tao treinados a perguntarem aos clientes se o cafe sera tomado na loja ou nao, perguntam aos clientes que querem comprar so o po de cafe ou a caneca se o produto sera consumido no local ou em casa. So uma maquina para conseguir seguir as instrucoes tao ao pe da letra. Ou lusitano. Ou japones.

terça-feira, 1 de julho de 2008

G-8

Lembra, guardadas as devidas proporcoes, a movimentacoes em torno da Eco que ocorreu no Rio ha muitos anos atras.

Com o exercito, seus tanques, helicopteros e homens armados nas ruas, o governo brasileiro a epoca tentou passar um pouco de tranquilidade aos entao governantes e aos participantes da conferencia mundial sobre ecologia sediada em uma das cidades mais violentas do mundo.

Este mes, por conta da reuniao do G-8, que esta para comecar em Hokkaido, no norte do Japao, o governo japones tambem resolveu colocar nas ruas um contingente muito maior do que o normal de policiais para reforcar a seguranca interna do pais, tendo em vista que a concentracao de tanta gente poderosa em um so local torna o pais potencial alvo de atentados terroristas. A cada 10 passos, seja nas ruas, dentro das estacoes ou em qualquer local com concentracao de gente, ve-se sempre um ou dois homens fazendo a ronda para garantir a tranquilidade de todos.

Assim como os samurais e suas espadas ja tentaram no passado vencer os homens munindos de armas de fogo, os policiais japoneses contemporaneos tentam combater os Bin Ladens, King-Jong-II, suas armas atomicas, avioes com pilotos kamikazes e carros bomba armados com...cassetetes. E ponto. E nao e nenhum cassetete tecnologico, que solte raio laser ou algum artificio paralisante ou coisa do genero, coisa que alguem pode ter visto em algum seriado ou filme de ficcao cientifica. E de borracha mesmo, igualzinho ao que a super equipada PM paulista usa.

Sera que ja pensaram em distribuir bastao de baseball? Acho que seria mais intimidador.

Poderia chamar estes homens de corajosos e bravos, mas seria simplorio demais. Eles sao, acima de tudo, bem informados. E herois. Afinal, nao fosse a maior presenca deles nas ruas, as velhinhas que sempre se perdem pelas estacoes nao teriam a quem correr e estariam ate agora procurando a saida para a rua.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Japao, maior longevidade do mundo.

Do alto de seus 74 anos e 14 anos de carreira, Shigeo Tokuda estrelou cerca de 350 filmes que levam titulos como "Cuidado Proibido de Idosos" e "Treinamento Maniaco de Lolitas". Shigeo Tokuda nao e um velhinho comum. Ele e um veterano - desculpe, foi inevitavel - ator porno na bilionaria industria japonesa de filmes adultos. Vejam a entrevista dele para a Time Magazine.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

A decisao de nao ter filhos ou de como evitar titulos obvios como "vida de cachorro"


Camara de oxigenio nao e so para o Michael Jackson ou para o Bubble Boy do Seinfeld.

No Japao existe uma camara de oxigenio desenvolvido pela Air Press especialmente ao melhor amigo do homem, que segundo a lenda faz com que ele envelheca mais lentamente, alem de supostamente fazer-lo relaxar. O preco do tratamento e de cerca de 20 doletas.

Seu cachorro nao relaxou indo a camara de tortura, digo tratamento? Entao mande o mal-agradecido a clinica de reflexologia em Azabu Juban. La seu cachorro vai sair tinindo apos 15 minutos de massagem, que lhe custara 1575 yens, ou cerca de US$ 16. Se ainda assim o bicho continuar agitado, mande-o ao “onsen”, por US$ 30. Ou ao salao de beleza, onde ele pode ter seus pelos sedosos tingidos com henna por US$ 30,00 ou ser podado pelo dobro do preco.

Esta achando tudo isso ridiculo? Isso porque voce nao tem um cachorro.

Mas isso nao e problema, amigao. Basta ir a Odaiba, onde ha uma loja chamada “Puppy the World”, onde voce pode alugar um exemplar de poodle ou border collie ou qualquer outro cachorro do tamanho de sua preferencia pagando o US$ 19 a hora ou US$ 100 a noite. E ainda ganhe 5% de desconto no cafe local.

terça-feira, 10 de junho de 2008

iPhone

O lancamento oficial do iPhone no Japao sera no dia 11 de julho. Mas ainda pairam duvidas se o aparelho da Apple replicara o sucesso mundial no Japao.

Por conta da variedade de softwares que o aparelho japones traz embutido e outra serie de aplicativos que podem ser baixados na internet, o celular japones e uma caixinha de surpresas, em que uma combinacao inusitada de teclas leva sempre o usuario a descobrir novas funcoes - que variam de inutil a pouco pratico - que estavam ate entao adormecidas. .

Ainda que o basico - TV, cartao de credito, cartao de pagamento, GPS e internet – ja seja o suficiente para fazer com que qualquer pessoa de fora achar que o celular japones saiu de algum filme de ficcao cientifica, o usuario daqui so fica feliz mesmo com seu celular se ele exigir de si a leitura de milhares de horas do manual e treinamento diario para dominar e manusear o aparelho com desenvoltura.

Na verdade, o usuario sempre so tem uma vaga nocao do que o seu aparelho e capaz de fazer – em media somente 5 a 10% das funcionalidades sao efetivamente utilizadas – mas ele gosta mesmo e do que o aparelho potencialmente pode fazer, pouco importando se ele faz uso pleno do aparelho no seu dia-a-dia.

E justamente pelo seu principal atrativo – a simplicidade - ha um grande risco do celular do Steve Jobs acabar nao fazendo a cabeca da japonesada.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Bicicletario

Todo mundo fica achando que Paris e vanguarda pelo fato das pessoas estarem adotando uma atitude verde ao voluntariamente substituir os automoveis por bicicletas. Mas o que muita gente nao sabe e que assim como “nouvelle cuisine” nao foi a primeira escola a valorizar a delicadeza e perfeicao da apresentacao dos pratos, a populacao adotar em massa a bicicleta como meio de transporte foi uma pratica adotada antes deste lado do globo.

No Japao todo mundo usa bicicleta para ir ao supermercado, ao trabalho, a academia e fazer curtos deslocamentos entre dois pontos. O transporte publico e usado somente para quando o trajeto for mais longo e o carro so para fazer uma viagem. Alias carro e um artigo completamente superfulo no Japao, como mostram as constantes queda de recordes negativos nas vendas, uma vez que o Japao conta com uma malha extensissima de transporte publico.

Esta reportagem mostra o quao popular e o ato de andar de bicicleta pela cidade. Ela mostra um novo bicicletario que foi inaugurado recentemente em uma das muitas estacoes de trens da cidade. O bicicletario em questao comporta ate nove mil e quatrocentas (!!) bicicletas em um poco subterraneo de 15 metros. O procedimento e simples: voce coloca a bicicleta na plataforma e, segundos depois, um elevador se abre, de onde salta um braco robotico que ira levar a sua bicicleta para um deposito cilindrico. Assim o processo parece complicado lento, mas o reporter levou somente 23 segundos para que a incrivel maquina devolvesse a sua bicicleta.

Suck it, Paris!

http://www.youtube.com/watch?v=wE4fvwTBtno

terça-feira, 3 de junho de 2008

Japa em Bali

Japones esta para Bali assim como argentino estava para Floripa na era Menem.

Todo mundo sabe palavras basicas em japones e faz questao de mostrar que sabe o que o cliente quer, bradando “happa!!!” (folha) e “kinoko!!!” (cogumelo) pelas ruas.

Bali e tambem um dos locais mais populares entre os casais japoneses que querem contrair matrimonio. O que nao falta e servico e resort oferecendo servicos relacionados. E engracado ver casais em traje tradicional (ocidental) de casamento e convidados na estica suando em bicas sob o sol escaldante enquanto todos tiram fotos e contemplam o por-do-sol a partir de um penhasco, naquela cena super cliché.

Mas a maior demonstracao da forca japonesa em Bali foi ver uma placa trilingue na piscina de um dos hoteis em que eu fiquei:

“Prezado hospede, por favor perdoem este humilde hotel e desculpem os simplorios servicais pelo incomodo causado pelo fechamento da piscina, mas este procedimento e absolutamente necessario para que possamos aprimorar os nossos pobres servicos para que o honoravel hospede possa usufruir de forma honrosa a nossa humilde piscina com a maxima tranquilidade durante o dia. Encarecidamente rogamos para que o honoravel hospede compreenda nosso lamentavel pedido e retorne de manha, quando o honoravel hospede podera aproveitar plenamente o pouco que o nosso hotel tem a oferecer.”

Verborragico como so poderia ser a lingua japonesa. Bastava o “sorry the pool is closed” que estava escrito em ingles, logo acima da frase quilometrica, que a mensagem estava dada.

Mas acho que e questao de tempo para o dominio japones cair.

Hoje em dia a Asia esta sendo invadida pelos turistas chineses.

Facil reconhecer um.

Pelo fato de andarem em grupos enormes e estarem tirando fotos das coisas mais idiotas que surgem pela frente? Obvio que nao, pois esta descricao pode corresponder a um grupo de japoneses ou coreanos. Basta ver se eles falam alto, nao respeitam fila e se estao horrivelmente mal-vestidos. Impossivel ser elegante com roupas “Made in China”.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Volto ja!

Semana que vem estarei fora do pais. Darei um pulinho em Bali, ali do lado, para ver como andam as praias de la enquanto estarei torcendo para que a policia esteja fazendo um bom trabalho de prevencao de atentados a bomba.

E tambem ja comprei meu protetor com fator de protecao 55 que nao e para voltar com aquela de cor de vietnamita, havaiano ou peruano porque quem tem bronze adquirido naturalmente choca as pessoas daqui.

Pois sabiam que aqui existem somente dois grupos de pessoas? Aquelas que querem manter a pele extremamente alva - em dias de calor e sol intenso ve-se uma multidao munida com luvas que vao ate o ombro, sombrinha, oculos escuros que cobrem todo o rosto, viseira que igualmente cobre todo o rosto e xale (e assim que se escreve?); ou aquelas que gostam de ter a pele laranja de tanto bronzeamento artificial.

Alias essa coisa de estetica beira a obsessao. Uma das coisas mais estranhas que existem nestas terras e o esforco que as pessoas fazem para ter um rosto pequeno, sinonimo de beleza. Quem e cabecudo ou tem a area facial mais extensa usa uma serie de artificios e apetrechos para fazer com que o rosto diminua de tamanho ou pelo menos para criar uma ilusao de otica de que a cara e menor do que realmente e.

Chega de papo.

Em junho volto com novidades e uma nova materia para a minha coluna no Drops, pois ja fiz reserva em um dos melhores, mais charmosos e exclusivos restaurantes do mundo, que tem sede por la.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Que meda!

No momento em que o individuo sente o perigo por perto o verdadeiro ser aflora*:

"No primeiro dia de moi na empresa, por achar que os outros coleguinhas teriam a disposicao uma roupa de marinheiro, cocar de indio e uniforme de policial, acabei nao me contendo dentro de mim e acabei desabroxando na frente de todo mundo, demonstrando mais alegria do que deveria ao encontrar um capacete de construcao civil debaixo da minha escrivaninha.

Mas logo broxei pois se ele vem acompanhado de um kit de primeiros socorros e um saquinho de arroz todo sequinho numa embalagem cafonerrima, o capacete so poderia ser para fins de sobrevivencia. Que coisa mais degradante!

Nao tem nada de glamuroso nisso, mas vou ter que me empanturrar de tomar champagne Cristal toda noite daqui pra frente porque enquanto estiver vivendo aqui nunca saberei quando virarei purpurina.

Nesta madrugada, por exemplo, faltou assim para eu sair correndo feito uma gazela pelas ruas da cidade gritando, absolutamente em panico e descontrolada e ainda sem a minha bata de seda branca, so com a minha cuequinha Armani predileta toda cagada. Nao e facil manter a sedosidade da cutis em dia sendo acordando toda madrugada pelo predio se contorcendo e fazendo barulho feito uma bichona caindo das tamancas e ainda ver todos os seus cremes franceses
caresimos se espatifando no chao por conta de um terremoto de 6,7 graus na escala Richter.

Acho que vou ligar para papai e mamae esta noite para contar logo toda a verdade a eles..."

*traducao livre (e livremente adaptado) de um e-mail em tom confessional recebido esta manha por mim de um colega de firma)

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Q&A

Querido blogue,

Essa vida de blogueiro nao e mole.

Seria mais facil se esse bloque fosse como os outros 99 por cento, cuja tematica e diario adolescente ou putaria. Ou os dois, no caso dos blogues pedofilos. Mas nao, resolvi comecar a escrever sobre a minha vida no Japao.

Quase um diario adolescente, algum piadista pode dizer. Ok, concordo, e quase isso, mas o objetivo inicial era ficar relatando so as coisas engracadas que vivo no dia-a-dia.

O problema e que depois de tanto tempo, a piada comeca a perder graca. Alguem ri da mesma piada duas vezes? Depende de quem conta, mas pelo fato de eu sempre esquecer a moral das piadas, como piadista sou um otimo advogado. Dai a dificuldade de manter uma postagem regular.

Fora que as vezes quero contar umas historinhas mas a minha criatividade nao esta bem calibrada e dai os textos saem um lixo. Dai penso em publicar depois, mas dai ja nao e mais a mesma coisa porque a historia ja esfriou e o impacto do relato virou po.

Era tanta falta de inspiracao que uma epoca ate cheguei a pensar em colocar receitas no ar, mas ate isso nao deu certo porque nunca sei as medidas que uso e as minhas tentativas acabaram se limitando a relatar o nome do prato preparado no dia.

Foto seria uma salvacao, mas hoje em dia estou com tanta imagem arquivada que e contra-producente escolher uma ou outra so com o unico objetivo de ficar enchendo este espaco virtual de linguica.

E outra, agora to comecando a achar muito mais bizarro viver no Brasil.

Essa coisa do Fofomeno, por exemplo. O cara pode pegar e pagar quem quiser, mas foi procurar logo um travecao, daqueles grotescos que ficam em Copacabana. Porra, tem coisa mais engracada do que essa? A recente historia de que um jogador de futebol de um time de ponta da primeira divisao japonesa sofreu condenacao pelo furto de calcinha e coisa de mirim.

E terremoto? Caguei, nao no sentido de borrei a cueca, mas no outro sentido da palavra. Todo dia convivo com um, ja nem me importo mais com as loucas que caem do armario.

Eu poderia mudar o foco e comecar a contar piada para os japoneses. Mas humor japones e uma coisa complicada. Pra comecar, os caras nao conhecem ironia porque eles sao muito literais. E dai eu fico sem instrumento de trabalho. E nao sou capaz de fazer o humor japones, baseado na escatologia ou em trocadilhos infames. Ou humor pastelao, no estilo “Os tres patetas”. Quer dizer, coisas que poderia achar engracado la nos meus 10, 11 anos, nao hoje.

Entao so me resta uma saida para manter este troco vivo ate eu voltar ao Brasil: institucionalizar uma sessao de perguntas e respostas. Pelo menos assim tenho um tema sobre o qual trabalhar e ainda posso dizer que este e um espaco interativo e democratico. Veja a seguir as respostas cretinas a algumas das milhares de perguntas idiotas ja recebidas.

"Tem muita gueixa ai?"
Felipe Silva, de Pindamonhangaba, Brasil

Felipe, nao sei que tipo de tara voce tem, mas tem que ter alguma para fazer esse tipo de pergunta. Para facilitar o seu entendimento, vou permanecer nesta seara das taras. Com qual frequencia voce encontra uma “drag queen”? Se voce nao for o Fofomeno, poucas vezes. Entao, se voce entende que e normal nao encontrar uma “drag queen” a toda hora, vai entender que nao e sempre que se ve uma gueixa dando sopa por ai. Mas se o Felipe Silva e um “amigo” do Fofomeno e quer encontrar uma “drag queen” a toda hora, voce tambem pode, basta conhecer os locais certos e ir nos horarios certos. Esta afirmacao tambem se aplica no caso das gueixas.

"No Brasil vendem uma imagem de que e “cool” ser “cosplayer”. E verdade?"
Ed “The Kat”, de Nova Iorque/EUA

Ed, nao acredite em tudo o que voce le, principalmente no Brasil, onde os materiais escritos sao de baixissima qualidade e muito baseado no achismo. Ao contrario do que voce viu (sim, "viu") naquela revista que chega toda a semana na sua casa, “Cosplayer” japones e tao “loser” quanto “cosplayer” brasileiro. Alias, nao comer ninguem e um pressuposto logico e necessario para ser “cosplayer” em qualquer lugar do mundo. Mas como essa coisa de "cosplayer" tambem acaba chegando de uma forma meio deturpada do outro lado do mundo, vou citar um exemplo mais paulistano: pessoas desejam ter um filho "cosplayer" tanto quanto gostariam de ter um filho "emo".

"Come-se sushi e sashimi todo dia?"
Xisto, do Centro de S. Paulo, proximo da Nova Deli.

Sim, sempre tem alguem comendo sushi e sashimi por aqui. Ate porque o Japao e o unico do lugar do mundo em que se come sushi e sashimi. Ajuize contra os "japoneses” dos Jardins e Itaim que voce frequenta, porque bolinhos de arroz socado por maos baianas nao se enquadra nesta categoria.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Um problema cabeludo

De tempos em tempos da dos adevas estrangeiros estarem todos cocando o saco ao mesmo tempo e dai comeca uma maratona de e-mails sacaneando um ao outro.

A ultima destas series durou toda uma manha e iniciou-se com uma discussao do tipo “onde vamos almocar hoje” e terminou com um debate acalorado sobre o mais cabeludo dos problemas japoneses.

Este assunto e tao sensivel que uma conversa acerca do tema uma vez quase acabou em briga.

Em um happy hour que misturava locais e gringos, a Sue resolveu confessar que o que mais a chocou na primeira vez que ela foi ao banho termal (doravante “onsen”) nao foi o fato de um monte de gente tomar banho junto, mas o fato da mulher japonesa nao atacar um problema que afige a todos da forma como ele deve ser atacado. Dizia a Sue que ela teve muito, mas muito medo disso, afinal ela nao tinha visto nada parecido antes. Quem veio do oeste borrou a calca de tanto rir mas as locais ficaram todas enfurecidas por um assunto tao sensivel ter sido colocado na mesa.

Realmente, para os ocidentais acostumados com a grama impecavelmente aparada dos jardins ingleses, nao e facil conviver com a floresta tropical de Borneo nem com o espirito “eco” levado as ultimas consequencias.

De fato, um problema muito, mas muito cabeludo.

Brazilian wax faz sucesso no mundo inteiro; o problema e que as japonesas frequentam a mesma depiladora da Claudia Ohana e Vera Fischer.