quinta-feira, 22 de maio de 2008

Volto ja!

Semana que vem estarei fora do pais. Darei um pulinho em Bali, ali do lado, para ver como andam as praias de la enquanto estarei torcendo para que a policia esteja fazendo um bom trabalho de prevencao de atentados a bomba.

E tambem ja comprei meu protetor com fator de protecao 55 que nao e para voltar com aquela de cor de vietnamita, havaiano ou peruano porque quem tem bronze adquirido naturalmente choca as pessoas daqui.

Pois sabiam que aqui existem somente dois grupos de pessoas? Aquelas que querem manter a pele extremamente alva - em dias de calor e sol intenso ve-se uma multidao munida com luvas que vao ate o ombro, sombrinha, oculos escuros que cobrem todo o rosto, viseira que igualmente cobre todo o rosto e xale (e assim que se escreve?); ou aquelas que gostam de ter a pele laranja de tanto bronzeamento artificial.

Alias essa coisa de estetica beira a obsessao. Uma das coisas mais estranhas que existem nestas terras e o esforco que as pessoas fazem para ter um rosto pequeno, sinonimo de beleza. Quem e cabecudo ou tem a area facial mais extensa usa uma serie de artificios e apetrechos para fazer com que o rosto diminua de tamanho ou pelo menos para criar uma ilusao de otica de que a cara e menor do que realmente e.

Chega de papo.

Em junho volto com novidades e uma nova materia para a minha coluna no Drops, pois ja fiz reserva em um dos melhores, mais charmosos e exclusivos restaurantes do mundo, que tem sede por la.

sábado, 17 de maio de 2008

Cozinha para dummies

Vou postar receitas de alguns pratos que desenvolvi. Sao pratos faceis de serem preparados, rapidos, praticos, nao fazem sujeira na cozinha, mas ao mesmo tempo sao diferentes e podem impressionar os menos familiarizados com a cozinha oriental. E ainda da para dizer que e cozinha "fusion":

O prato a seguir foi inspirado no negi-toro, que pode ser encontrado em qualquer esquina japonesa e foi adaptado de forma a utilizar ingredientes que podem ser facilmente encontrados em qualquer supermercado paulistano.

Ingredientes:
- posta de atum moida ou picada;
- molho de soja ("shoyu") e/ou molho de peixe ("nampla");
- cebolinha picada;
- gengibre ralado;
- oleo de gergelim;
- pasta de soja ("misso");
- tabasco;
- sake doce para cozinha ("mirin").

Misture todos os ingredientes, separe em pequenas porcoes e sirva sobre uma cama de alface. Perfeito para uma refeicao light ou como entrada.

Colunista

De tanto falar sobre comida acabei que fui contratado para ter uma coluna de gastronomia na revista Drops.

Acredito que nao vou conseguir mandar a materia a tempo do fechamento da primeira edicao, nas bancas em junho, mas a partir de julho e nois.

Enquanto isso, vou postando uma coisa ou outra no site da revista.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Que meda!

No momento em que o individuo sente o perigo por perto o verdadeiro ser aflora*:

"No primeiro dia de moi na empresa, por achar que os outros coleguinhas teriam a disposicao uma roupa de marinheiro, cocar de indio e uniforme de policial, acabei nao me contendo dentro de mim e acabei desabroxando na frente de todo mundo, demonstrando mais alegria do que deveria ao encontrar um capacete de construcao civil debaixo da minha escrivaninha.

Mas logo broxei pois se ele vem acompanhado de um kit de primeiros socorros e um saquinho de arroz todo sequinho numa embalagem cafonerrima, o capacete so poderia ser para fins de sobrevivencia. Que coisa mais degradante!

Nao tem nada de glamuroso nisso, mas vou ter que me empanturrar de tomar champagne Cristal toda noite daqui pra frente porque enquanto estiver vivendo aqui nunca saberei quando virarei purpurina.

Nesta madrugada, por exemplo, faltou assim para eu sair correndo feito uma gazela pelas ruas da cidade gritando, absolutamente em panico e descontrolada e ainda sem a minha bata de seda branca, so com a minha cuequinha Armani predileta toda cagada. Nao e facil manter a sedosidade da cutis em dia sendo acordando toda madrugada pelo predio se contorcendo e fazendo barulho feito uma bichona caindo das tamancas e ainda ver todos os seus cremes franceses
caresimos se espatifando no chao por conta de um terremoto de 6,7 graus na escala Richter.

Acho que vou ligar para papai e mamae esta noite para contar logo toda a verdade a eles..."

*traducao livre (e livremente adaptado) de um e-mail em tom confessional recebido esta manha por mim de um colega de firma)

terça-feira, 6 de maio de 2008

Krispy Kreme

Tudo leva a crer que se trata somente de um Dunkin Donuts melhorado, mas nos ultimos dias ando com um desejo de comer uma rosquinha do Krispy Kreme.

Mas fico lutando contra esse meu desejo porque nao e facil comprar uma. Requer ficar uma hora em uma fila que faz mais curvas que a fila do Super Jet do Playcenter nos tempos aureos.

Hoje mesmo tentei ir na loja que tem aqui perto de casa mas de repente deu uma azia ao ver a plaquinha indicando o tempo de espera: 40 minutos.

Por isso, tento esquecer a rosquinha.

Mas e como estar no meio do processo de parar de fumar. Quando a vontade esta para desaparecer, surge um caminhao com um logo imenso e repletos de doughnuts soltando aquele cheiro delicioso. Entao resolvo ler uma revista para espairecer. Mas me deparo com um dos muitos artigos sobre as melhores coisas para se comer em Toquio. E o maldito Krispy Kreme esta la na lista. Entao decido comecar a assistir um dos seriados baixados na net. Mas o personagem resolve fazer uma piada com rosquinha Krispy Kreme e os habitos alimentares dos policiais de seriados americanos.

O pior e que a rosca deve ser boa. Na fila que vi hoje, por exemplo, metade da fila ja estava partindo para a segunda rosquinha, ainda que isso custasse pegar a fila de novo e aguardar mais uma hora. A outra metade, que estava quase chegando ao seu destino final, era formada por pessoas com olhos esbugalhados e a boca salivando. Sinais tipicos de fissura.

Comprar um lugar na fila chegou a ser cogitado. Mas so desejei que todos tenham uma feliz disinteria.

Ainda assim, hei de come-lo. Hei de come-lo um dia!!!!

Fotos

Templo em Kamakura

Castelo de Osaka

Monte Fuji+Kawaguchi-ko


Castelo em Aizuwakamatsu

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Q&A

Querido blogue,

Essa vida de blogueiro nao e mole.

Seria mais facil se esse bloque fosse como os outros 99 por cento, cuja tematica e diario adolescente ou putaria. Ou os dois, no caso dos blogues pedofilos. Mas nao, resolvi comecar a escrever sobre a minha vida no Japao.

Quase um diario adolescente, algum piadista pode dizer. Ok, concordo, e quase isso, mas o objetivo inicial era ficar relatando so as coisas engracadas que vivo no dia-a-dia.

O problema e que depois de tanto tempo, a piada comeca a perder graca. Alguem ri da mesma piada duas vezes? Depende de quem conta, mas pelo fato de eu sempre esquecer a moral das piadas, como piadista sou um otimo advogado. Dai a dificuldade de manter uma postagem regular.

Fora que as vezes quero contar umas historinhas mas a minha criatividade nao esta bem calibrada e dai os textos saem um lixo. Dai penso em publicar depois, mas dai ja nao e mais a mesma coisa porque a historia ja esfriou e o impacto do relato virou po.

Era tanta falta de inspiracao que uma epoca ate cheguei a pensar em colocar receitas no ar, mas ate isso nao deu certo porque nunca sei as medidas que uso e as minhas tentativas acabaram se limitando a relatar o nome do prato preparado no dia.

Foto seria uma salvacao, mas hoje em dia estou com tanta imagem arquivada que e contra-producente escolher uma ou outra so com o unico objetivo de ficar enchendo este espaco virtual de linguica.

E outra, agora to comecando a achar muito mais bizarro viver no Brasil.

Essa coisa do Fofomeno, por exemplo. O cara pode pegar e pagar quem quiser, mas foi procurar logo um travecao, daqueles grotescos que ficam em Copacabana. Porra, tem coisa mais engracada do que essa? A recente historia de que um jogador de futebol de um time de ponta da primeira divisao japonesa sofreu condenacao pelo furto de calcinha e coisa de mirim.

E terremoto? Caguei, nao no sentido de borrei a cueca, mas no outro sentido da palavra. Todo dia convivo com um, ja nem me importo mais com as loucas que caem do armario.

Eu poderia mudar o foco e comecar a contar piada para os japoneses. Mas humor japones e uma coisa complicada. Pra comecar, os caras nao conhecem ironia porque eles sao muito literais. E dai eu fico sem instrumento de trabalho. E nao sou capaz de fazer o humor japones, baseado na escatologia ou em trocadilhos infames. Ou humor pastelao, no estilo “Os tres patetas”. Quer dizer, coisas que poderia achar engracado la nos meus 10, 11 anos, nao hoje.

Entao so me resta uma saida para manter este troco vivo ate eu voltar ao Brasil: institucionalizar uma sessao de perguntas e respostas. Pelo menos assim tenho um tema sobre o qual trabalhar e ainda posso dizer que este e um espaco interativo e democratico. Veja a seguir as respostas cretinas a algumas das milhares de perguntas idiotas ja recebidas.

"Tem muita gueixa ai?"
Felipe Silva, de Pindamonhangaba, Brasil

Felipe, nao sei que tipo de tara voce tem, mas tem que ter alguma para fazer esse tipo de pergunta. Para facilitar o seu entendimento, vou permanecer nesta seara das taras. Com qual frequencia voce encontra uma “drag queen”? Se voce nao for o Fofomeno, poucas vezes. Entao, se voce entende que e normal nao encontrar uma “drag queen” a toda hora, vai entender que nao e sempre que se ve uma gueixa dando sopa por ai. Mas se o Felipe Silva e um “amigo” do Fofomeno e quer encontrar uma “drag queen” a toda hora, voce tambem pode, basta conhecer os locais certos e ir nos horarios certos. Esta afirmacao tambem se aplica no caso das gueixas.

"No Brasil vendem uma imagem de que e “cool” ser “cosplayer”. E verdade?"
Ed “The Kat”, de Nova Iorque/EUA

Ed, nao acredite em tudo o que voce le, principalmente no Brasil, onde os materiais escritos sao de baixissima qualidade e muito baseado no achismo. Ao contrario do que voce viu (sim, "viu") naquela revista que chega toda a semana na sua casa, “Cosplayer” japones e tao “loser” quanto “cosplayer” brasileiro. Alias, nao comer ninguem e um pressuposto logico e necessario para ser “cosplayer” em qualquer lugar do mundo. Mas como essa coisa de "cosplayer" tambem acaba chegando de uma forma meio deturpada do outro lado do mundo, vou citar um exemplo mais paulistano: pessoas desejam ter um filho "cosplayer" tanto quanto gostariam de ter um filho "emo".

"Come-se sushi e sashimi todo dia?"
Xisto, do Centro de S. Paulo, proximo da Nova Deli.

Sim, sempre tem alguem comendo sushi e sashimi por aqui. Ate porque o Japao e o unico do lugar do mundo em que se come sushi e sashimi. Ajuize contra os "japoneses” dos Jardins e Itaim que voce frequenta, porque bolinhos de arroz socado por maos baianas nao se enquadra nesta categoria.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Um problema cabeludo

De tempos em tempos da dos adevas estrangeiros estarem todos cocando o saco ao mesmo tempo e dai comeca uma maratona de e-mails sacaneando um ao outro.

A ultima destas series durou toda uma manha e iniciou-se com uma discussao do tipo “onde vamos almocar hoje” e terminou com um debate acalorado sobre o mais cabeludo dos problemas japoneses.

Este assunto e tao sensivel que uma conversa acerca do tema uma vez quase acabou em briga.

Em um happy hour que misturava locais e gringos, a Sue resolveu confessar que o que mais a chocou na primeira vez que ela foi ao banho termal (doravante “onsen”) nao foi o fato de um monte de gente tomar banho junto, mas o fato da mulher japonesa nao atacar um problema que afige a todos da forma como ele deve ser atacado. Dizia a Sue que ela teve muito, mas muito medo disso, afinal ela nao tinha visto nada parecido antes. Quem veio do oeste borrou a calca de tanto rir mas as locais ficaram todas enfurecidas por um assunto tao sensivel ter sido colocado na mesa.

Realmente, para os ocidentais acostumados com a grama impecavelmente aparada dos jardins ingleses, nao e facil conviver com a floresta tropical de Borneo nem com o espirito “eco” levado as ultimas consequencias.

De fato, um problema muito, mas muito cabeludo.

Brazilian wax faz sucesso no mundo inteiro; o problema e que as japonesas frequentam a mesma depiladora da Claudia Ohana e Vera Fischer.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

A primeira vez a gente nunca esquece

Pra quem se borrou todo com a chacoalhadazinha desta semana: e pra ter medo mesmo.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Escritorios, tremei!

A coisa comecou em 1987, quando foi promulgada a lei que permitiu que advogados estrangeiros prestassem consultoria sobre lei estrangeira por aqui. Segundo esta lei, aos estrangeiros nao era permitida a contratacao de advogados japoneses, associacao a escritorios japoneses e tampouco a prestacao de consultoria em lei local. Igualzinho ao que existe hoje no Brasil.

Os anos que se seguiram foram de atuacao estrangeira bem timida, quer pelas limitacoes legais, quer pela recessao economica.

Em 2005, no entanto, o mercado de prestacao de servicos juridicos sofreu um terremoto que devastou tudo e mudou o cenario para sempre: como fruto do lobby dos escritorios estrangeiros, empresas nacionais e internacionais, acabou aprovada a lei que permitiu a criacao de joint-ventures entre escritorios japoneses e estrangeiros.

Na teoria, significava a derrubada de todas as restricoes citadas acima. Na pratica, a tomada do mercado de assalto pelos estrangeiros.

Ate tal ano, era raro ver escritorio japones com mais de 100 advogados. Escritorio com 10 era considerado medio.

Hoje, com a instalacao de filiais do magic circle (Clifford Chance, Freshfields, Linklaters, Herbert Smith, Allen & Overy), do White & Case, Baker& Mackenzie, Orrick, Ashurst, Greenberg Traurig, Mayer Brown, Morrison & Foerster, Bingham McCutchen, Paul Hastings, dentre outros e a onda de fusoes entre escritorios locais, que se uniram para se protegerem da onda de aquisicoes por estrangeiros, ja e bem mais comum encontrar escritorios com mega estruturas localizados nos mais caros centros financeiros, centenas de advogados, paralegais e equipe de apoio, nos moldes dos grandes escritorios internacionais.

Por aqui, quem nao ficou grande acabou de fora das grandes transacoes internacionais e dos honorarios astronomicos. E viu surgir um abismo intransponivel em relacao aos grandes players do mercado.

Pois e, amiguinhos, e bom irem se preparando porque agora que comecou a onda de instalacoes de filiais de escritorios estrangeiros no Brasil, deve vir um tsunami mais pra frente; no final, so vai sobrar law firm e homens-placa na Praca da Se.