quarta-feira, 16 de maio de 2007

10 Japanese Women Facts

1. A mulher japonesa nao cruza as pernas. Elas deixam as pernas paralelas uma a outra em uma inclinacao exata de 70 graus;
2. A mulher japonesa e branca. A cor da pele nao muda mesmo depois da retirada da estensa camada de po de arroz do rosto;
3. A mulher japonesa e meiga. E por isso deixa metade de sua colecao de bichos de pelucia em cima da mesa do trabalho;
4. A mulher japonesa gosta de se produzir. E as vezes perdem a mao, saem na rua com vestido tipo princesa com aqueles trocos nos ombros como se fosse Branca de Neve ou vao trabalhar de bermuda, meiao e sandalia de tio;
5. Mulher japonesa e tudo igual. De tanto se produzirem para ficarem diferentes, acabam ficando todas iguais.
6. A mulher japonesa parece mais nova do que e. E talvez por isso elas gostem de falar (normalmente) com a voz fininha, imitando crianca (como isso me irrita!);
7. A mulher japonesa nao se depila. Os biquinis parecem sungas entao nao ha pelo que consiga aparecer.
8. A mulher japonesa nao sente frio nas pernas. Andam de micro-saia mesmo quando esta nevando;
9. A mulher japonesa nao anda de forma elegante. Todo mundo tem perna torta, os pes virados pra dentro (da aflicao so de ver, parece que vao tropecar a qualquer momento);
10. A mulher japonesa nao tem bunda. Todo mundo sabe, mas precisava listar este fato, caso contrario o titulo seria “9 Japanese Women Facts”.

Obs: Nenhum das regras acima se aplica a minha noiva, ainda bem.

terça-feira, 15 de maio de 2007

Corrida contra o relogio

Do jeito que o japones anda rapido durante a semana parece ate que esta sempre com pressa. E realmente esta.

Aqui e uma luta diaria contra o relogio. Atrasou um minuto, perde-se o trem, perde-se a reuniao (quem sabe o emprego) e ate o respeito dos colegas de firma.

Todos os dias tenho que estar as 9h15 em ponto na minha mesa (na verdade e sempre bom chegar antes, pois e preferivel que as 9h15 voce ja esteja pelo menos dando o login), saio para almocar as 12h00 em ponto (quando da) e, independentemente da hora em que voce saiu para almocar, as 13h00 em ponto tem que estar na mesa (ja com os dentes escovados de preferencia). O expediente termina (pelo menos teoricamente) as 17h30 e as horas extras estao limitadas ate as 22h00.

Um adendo: ainda que exista esta obsessao pelo horario e aparentemente ser tudo muito certinho, e socialmente aceitavel (contanto que nao seja todo dia) que voce encha a cara no dia anterior, acorde de ressaca e deixe de ir trabalhar, desde que se avise no trampo.

Pois bem, para cada um dos eventos acima descritos, o sinal toca, como no colegio, acompanhado de anuncios do RH (como se fosse o diretor da escola) explicando sempre porque nao se pode (via de regra) fazer hora extra alem de um determinado horario, lembrando se todas as luzes foram apagadas, se todos os cinzeitos foram limpos, etc. e tal (alias aqui a limpeza, pelo menos o processo de esvaziar o lixeiro, e feito por conta propria).

Juro que costumava achar graca destes anuncios porque a voz de sono da mulher que faz o anuncio e hilario, mas hoje nao aguento mais as musiquinhas cafonas que precedem os anuncios...

segunda-feira, 7 de maio de 2007

A regra e clara!

Nao quebrar regras e o principio basico do japones.

Bonito na teoria mas pouco pratico na vida cotidiana.

Por exemplo, no farol de pedestres.

Nao importa se nao tem nenhum carro passando na rua - como naquelas cenas Looney Tunes em que o Coiote olha para um lado da estrada e nao ve nenhum carro no horizonte, ve o outro lado e a imagem se repete - se o sinal para pedestres esta fechado, todo mundo aguarda pacientemente a sua abertura. Eu ja liguei o foda-se desde o comeco e hoje to tao malandro que nem faixa de pedestres eu respeito.

Alias essa historia de faixa de pedestres tambem e curiosa. Outro dia estava olhando do alto de um desses predios um dos cruzamentos com as faixas de pedestres com maior fluxo de gente por minuto do mundo e vi que ninguem, mas absolutamente ninguem, atravessava fora da faixa. As pessoas pareciam mesmo formiguinhas, uma andando atras da outra. Um espetaculo inimaginavel em qualquer outro lugar do planeta.

Mas nao e so na hora de atravessar a rua que violo regras. Faco-o tambem no trampo. E diariamente.

Noventa e nove ponto noventa e nove por cento das mais de 5000 pessoas que trabalham no predio vem de metro e, consequentemente, a partir das nove todas se afunilam a partir da entrada a partir da estacao do metro para atravessar a porta de entrada para o hall dos elevadores.

A cena e ridicula e e motivo de piada entre os estrangeiros que la trabalham, ja que ao lado desta porta de entrada, em que todo mundo fica se acotovelando, ha uma outra, exatamente igual em forma e tamanho, mas que ninguem (com excecao de um outro ousado) passa. So porque nesta porta esta escrito "saida".

Como ja dizia o Arnaldo...

domingo, 6 de maio de 2007

Silencio

Esta semana foi a primeira semana de vida conjunta com a Sue. Perfeitamente compreensivel o silencio de mais de uma semana, nao?

Se a minha cama falasse

Agora que a minha amanda esta comigo, tive que reorganizar um pouco o (exiguo) espaco que esta disponivel para nos.

O primeio passo foi pedir uma cama de casal. Diante da indisponiblidade de uma, pedi entao que fosse instalada mais uma de solteiro no quarto.

Comecou entao uma verdadeira odisseia.

O problema nao era exatamente a falta de uma cama extra. Mas sim a impossibilidade (ou falta de vontade politica, sei la) de uma interpretacao razoavel das regras condominiais.

A origem do problema e que formalmente o meu apartamento e de solteiro e, assim, nao poderia comportar mais do que uma cama de solteiro. Se eu quisesse mais uma cama, teria que mudar para um apartamento duplo, porque a regra e clara no sentido de que 2 camas de solteiro, so em apartamento duplo.

"Ok", falei. O fato de quererem me colocar num quarto duplo e porque para fins de cobranca isso faz diferenca e para o controle do condominio, o numero de apartamentos simples e duplos nao poderia ser alterado. A solucao do problema era aparentemente simples, bastaria eu pagar o valor equivalente a um ape duplo, retirar uma cama de um quarto que atualmente e duplo, transfoma-lo em simples e transformar o meu, que e simples, em duplo, tudo isso com a simples transferencia de uma maldita cama de um apartamento para outro. Simples assim, nao faria diferenca nenhuma, afinal o espaco disponivel em um e outro e absolutamente o mesmo.

Mas de nada adiantou gastar meu japones durante meia hora com argumentos aparentemente irrefutaveis para evitar todo o transtorno que fomos obrigados a enfrentar por causa de uma cama. Tamanha foi a resistencia em querer mover uma cama de um ape para outro que parecia ate que ela estava concretada.

Resultado, depois de tomar uma canseira, vi que se quisesse mais uma cama, teria que me mudar.

Mas como nada e facil neste pais, a odiesseia nao terminou por ai.

Para eu realizar a mudanca, nao bastaria eu simplesmente pegar as tralhas, pegar o elevador para subir um andar, onde ficaria o novo ape e voila, terminar a mudanca.

Tive que fazer o check-out do ape do quarto andar as 10h, fazer a Sue esperar quatro horas no terreo para ela fazer o check-in as 14h00 no novo ape (era dia de trampo, entao infelizmente nao pude ficar para ajuda-la no procedimento...) para finalmente podemos nos mudar para o novo lar, no quinto andar, exatamente como manda o maldito sistema.

Apesar de saber que a falta de flexibilidade e um problema comum aqui, vou te dizer que essa japoneisada ja pega pesado demais no formalismo excessivo.

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Ultima noite

Ultima noite que durmo sozinho no Japao!

Amanha de manha a minha amada chega.

Nao vejo a hora de encontra-la!!!!!!!

quinta-feira, 26 de abril de 2007

As pessoas

Toquio subterranea e tao grande quanto a terrestre. Ha toda uma sociedade diferente debaixo da terra.

Voce consegue muito bem sobreviver durante muitos anos debaixo da terra sem ver a luz do sol, uma vez que as estacoes de metro sao providas de diversas lojas, como se fosse um shopping.

Pois bem, considerando que meus colegas de firma ja tinham zarpado ha tempos porque fiquei preso numa ligacao, resolvi ir almocar em um desses restaurantes que ficam na estacao do metro, aproveitando que ha uma saida do predio que cai direto na estacao. Jamais achei que a minha opcao, que a principio parecia inteligente, resultaria numa das experiencias mais aterrorizantes de minha vida.

Todo mundo sai meio dia em ponto. E quando digo meio dia em ponto, e em ponto mesmo (no final de semana passada quase perdi o busao pra Aizu porque achei que chegaria ao terminal 3 minutos antes da hora que efetivamente cheguei). Enfim, nesse dia acabei saindo meio-dia e meia (mais ou menos, porque brasileiro tem que ter uma margenzinha de erro). Ou seja, peguei bem a hora do rush em sentido contrario.

Achei que ja estava acostumado com as aglomeracoes de gente em Toquio, a maior densidade populacional do mundo, mas vi que ainda era junior nessa historia.

Simplesmente enfrentei um tsunami de gente que mal me permitia respirar. Imagine-se na 25 de marco, vespera de Natal, aquele mar de gente (isso e CNTP em Toquio). Ou pegue todo mundo que trabalha na Paulista e jogue todo mundo em uma estacao do metro. Muito pior, pode multiplicar por 10 e voce vai chegar mais ou menos perto do que eu vivi.

Era gente me empurrando, pisando no meu pe, fazendo eu voltar dois passos quando mal tinha conseguido dar um pra frente. Eu estava praticamente me afogando. Simplesmente parecia que metade da populacao japonesa estava la naquele momento de terror. Era tanto perrengue que pensei seriamente em deixar de almocar. Aquela altura, ja estava todo descabelado, com o paleto todo amarrotado, os oculos tortos na cara. Mas como sou brasileiro e nao desisto nunca, resolvi deixar a educacao de lado, aplicar uns pogos no meio galera, tecnica desenvolvida em anos de shows de roquenrol, para poder comer. Eis que consigo entrar em um restaurante, ja ofegante e todo suado.

Voce acha q o japones e inofensivo, mas a sua concepcao muda quando ve milhares vindo em direcao contraria em um corredor de menos de quatro metros de largura e centenas de comprimento.

Muito mais medo que "Os Passaros".

domingo, 22 de abril de 2007

Bom voltar pra casa. E ter saudades de casa

Passei este final de semana na casa da minha tia, em Aizuwakamatsu, na provincia de Fukushima, ao norte de Toquio.

E uma cidade do interior, com alguns castelos, em uma regiao mais fria que Toquio e que por isso mesmo ainda esta com todas as cerejeiras em flor.

E sempre bom encontrar a familia e sentir que se esta em familia, mesmo que depois de mais de 10 anos ininterruptos.

A minha vo estava la, tive a oportunidade de conversar com ela durante o final de semana inteiro. Praticamente nao saimos de casa, so conversando, botando o papo em dia. Foi bacana. Ela esta com 89 anos e ficou feliz em ter vivido ate agora e ter a oportunidade de me reencontrar. Bom lembrar que ela so esteve fisicamente presente em alguns momentos da minha vida, mas pelo significado de cada um destes momentos, de certa forma acompanhou o meu crescimento: o meu nascimento, a minha pre-adolescencia, ja na faculdade e agora, um homenzinho.

Apesar de tudo ter sido muito agradavel, tive tambem mostras do Japao que nao gosto. Do Japao preconceituoso e de visao deturpada e esteriotipada dos estrangeiros. Nas horas de conversa que tive, pude ouvir alguns comentarios pouco elogiosos dos imigrantes estrangeiros, notadamente dos chineses. E coincidentemente tive uma outra conversa no trampo esta semana em que ouvi alguns comentarios prejorativos em relacao a imigrantes.

O Japao nao e um pais que cresceu gracas aos imigrantes. E por isso eles nao sao muito benvindos aqui, a bem da verdade. E as vezes fico imaginando o que os dekasseguis sofrem ao vir pra ca e tambem todos os outros imigrantes no Japao. Agradeco sempre aos meus pais pelas oportunidades que eu tive na vida e ter a possibilidade nao ter que enfrentar esse caminho tao tortuoso.

Em que pese eu nao ter sentido preconceito em relacao a mim - alias deixo claro que jamais em nenhum momento eu senti isso aqui, pois apesar de ter crescido fora do Japao, sou ainda considerado de certa forma um japones - e duro ter que ouvir comentarios contra estrangeiros.

Japones gosta de tudo certo, tudo organizado, tudo sob controle. E isso resulta em nao gostar de nada fora do lugar, ou seja, nada que seja diferente. Mas isso nao os impede de adorarem os estrangeiros, desde que aqui eles permanecam pouco tempo.

Mas esse tipo de pensamento e mais comum em cidades do interior, que forma a maioria das cidades. Toquio nao e Japao, assim como NY nao e EUA. Entao nao da para tomar nem um ou outro como referencia do que e cada pais.

Enfim, o fato e que este final de semana passado no interior me fez lembrar dessas coisas ruins do Japao.

E voltando de onibus pra Toquio, senti-me estranhamente feliz e confortavel. Senti que estava chegando em casa por dois motivos: um porque estava de volta a cidade grande, que e o meu lugar, independentemente do pais; dois porque me lembrou um pouco aquela paisagem que vemos ao voltarmos para SP, a transformacao lenta e gradual do mato em concreto e luzes. Pra completar tudo isso, ainda avistei uma ponte cujo formato me lembrou muito a Marginal do Tiete e o duto da Sabesp iluminado.

Saudades do Brasil, terra de imigrantes, terra de estrangeiros benvindos e terra de gente diferente.

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Agora e oficial!

Parabens, meu amor.

Voce conseguiu o que para muitos era mais um capricho e um objetivo impossivel de ser alcancado.

Mas voce conseguiu em menos de um mes se preparar e preparar toda a documentacao necessaria para participar de um processo seletivo de uma MBA no Japao. E nao em qualquer lugar, no melhor deles. E nao so participar, mas ser aprovada tambem.

Voce realmente e foda, nao me canso de dizer isso. Ainda nao sei como voce consegue esses feitos. Quando voce bota alguma coisa na cabeca, so da para esperar que voce vai conseguir atingir o objetivo.

E obrigado; tambem nao canso de te agradecer. Obrigado por me inspirar todos os dias, fazer com que eu me esforce mais para poder sempre fazer o melhor. Obrigado por ter entrado na minha vida e ter me colocado nos eixos. Obrigado por ser a minha alma gemea.

Eu te amo, Sue. Falta uma semana para nos encontrarmos.

Povo esquisito mas de bom coracao

As empresas japonesas sao muitas vezes criticadas por conta da falta de especializacao de seus funcionarios. Eles dao preferencia para a formacao generalista e fazem com que os seus colaboradores rodem por diversas areas, resultando em pessoas que sabem de tudo um pouco.

E dai a casa cai quando vem um estrangeiro especialista em determinado assunto. Por mais novo que ele seja, a especializacao e uma arma que favorece, e muito, o forasteiro. Por isso que no mercado de trabalho japones, o estrangeiro sempre se da melhor. Desde que ele ja faca parte da populacao economicamente ativa no seu pais de origem.

Pois nestas duas ultimas semanas, alguns integrantes do juridico foram transferidos para a area de negocios.

Mas o que e mais interessante e a cerimonia de desligamento que ocorre. A bola da vez sempre passa de mesa em mesa, cumprimento cada um dos colegas, agradecendo por tudo. No Brasil, passa-se um e-mail geral pra galera e ponto. Eventualmente voce passa na mesa das pessoas mais chegadas para dar um ate logo, nada alem disso.

Mas aqui no Japao, nao importa, e importante fazer pessoalmente o que se faz virtualmente no Brasil. E dependendo do tamanho da area em que ele esta, ele fica o dia inteiro fazendo esse processo. E, ao final, ainda faz um discurso de agradecimento a todos. E neste momento, nao importa o que voce esteja fazendo, para-se tudo e fica-se de pe para prestigiar a pessoa. Nao importa mesmo o que voce esteja fazendo, se tiver que interromper uma reuniao cujo tema e um negocio de algumas dezenas de milhoes de dolares, faca, como eu fiz outro dia.

Isso e uma demostracao de valorizacao do ser humano. Gostei. Apesar de durante o dia todos trabalharem como uma maquina, nessas horas eles mostram o lado carinhoso e de cuidado com o proximo. E uma profunda demonstracao de agradecimento pelos servicos prestados. E tambem uma demonstracao de quanto o trabalhador e valorizado pela sociedade japonesa.

Mas a cerimonia de hoje teve algo de inedito, pelo menos pra mim. O cara que estava se desligando chorou na frente de todo mundo, nao conseguiu terminar o discurso mas agradeceu, do fundo do coracao dele, a forma como ele foi bem tratado nos ultimos anos. A experiencia me marcou porque foi a primeira demonstracao de afeto em publico que eu presenciei em 2 meses.