domingo, 9 de setembro de 2007

Poeira, poeira, poeira, levantou poeira

Ontem fui a segunda edicao do Festival Brasil, que ocorreu no Parque de Yoyogi, lugar super privilegiado, perto das descoladissimas Harajuku e Omotesando.

O meu objetivo inicial era comprar ingredientes para um jantar brasileiro que pretendo fazer em breve para uns amigos no final deste mes.

Mas em meio a um monte de barracas de comidas e produtos brasileiros, o clima de Brasil me contagiou tanto que durante o show do Asa de Aguia eu me surpreendi pulando junto com a Sue e cantando bem alto "Poeira" da Ivete no meio da galera, formada em sua maioria por brasileiros, mas tambem com alguns locais e gringos pirados. Tudo bem, a saudade faz o homem fazer cada coisa...Mas juro que foi so nessa musica que eu me emploguei.

Saudades do sabado de sol, piscina, breja e churrasco com os amigos...

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Pausa no momento China

Ando pensando em montar um fotoblog...Mas e a preguica?

Aventura na China, parte 2

Pequim, como todos bem sabem, sera a sede dos Jogos Olimpicos de Verao de 2008.

E a cidade se prepara com todo o gas para receber dignamente os milhares de turistas que por la devem aportar daqui a pouco menos de um ano.

Predios vao sendo contruidos em ritmo frenetico em tamanhos superlativos.

Alias, a cidade toda e um superlativo so, um exagero ate eu diria. As avenidas sao exageradamente largas, todas com 6 pistas (mas mesmo assim tem congestionamento). Os quarteiroes sao exageradamente grandes, com mais de 1 quilometro de extensao cada um (se o mapa mostra que vc tem que andar so dois quarteiros, considere pegar um taxi). A cidade e exageradamente povoada (achava que Toquio era crowdeado, mas mudei de ideia). O ar da cidade e exageradamente poluido (e so dar a primeira fungada no ar da cidade pra comecar a cocar o olho, o nariz, a pele). Em cidades de tantos superlativos, nao e de se estranhar que o mais famoso e comprido muro do mundo passe perto.Superlativo tambem sao os muros que cercam os bairros com curticos. Neguinho fica confinado atras do muro, quase que numa prisao (so nao o e porque sempre tem uma portinhola meio muquiada para nao ferir o direito de ir e vir do povo). Cingapurizacao? Bobabem.

Xangai tambem nao fica atras no requisito grandeza.

Cidade bastante povoada, porem em escala menor que Pequim, a cidade que ja tem um dos predios mais altos da Asia, o Jinmao Tower (alias onde fica o bar do Grand Hyatt, no 87 andar), tem logo a frente deste um mais alto ainda, cujo topo nao e possivel de se enxergar em dias mais nublados (vide foto abaixo) e que ainda esta em construcao (!!).Alias os predios de Xangai formam uma composicao interessante de estilos. De um lado, predios super altos, modernosos e/ou de design de um gosto um pouco duvidoso (espero que a escola chinesa de arquitetura de arranha ceus nao vire produto de exportacao tambem, para o bem da humanidade) com os dois pes no seculo XXI e outra metade em art deco construido e com os dois pes no periodo entre guerras.

E tendo estado somente cidades superlativas, so lamento mesmo que nao tive tempo de visitar o interior do pais. Alias em pais tao superlativo, seria necessario mesmo uns dois meses para conhecer tudo o que o pais tem a oferecer.

Mas esse ja e um outro projeto que temos para concretizar antes de voltarmos definitivamente ao Brasil e fechar com chave de ouro a nossa aventura na Asia.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Fotos da China



Forbidden City, Pequim


Beisi Ta, cidade de Suzhou,
nos arredores de Xangai


Pudong, Xangai, dia e noite - Projac

The Bund, Xangai.
So um rio separa o local de Pudong, mas
nem parecem estar na mesma cidade

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Aventura na China, parte 1

Nao poderia comecar a falar da China sem tocar no meu esporte predileto: comer.

Adoro a culinaria chinesa. Cheio de cores, cheiros, texturas, ervas e especiarias, coisas que eu adoro e abuso em minhas aventuras pela cozinha.

Os pratos sao preparados com muito carinho e todo esse carinho se reflete na fartura e na quantidade de pratos que sao servidos em cada refeicao. Sempre tem que ter arroz, dumplings, verduras, proteina, sopa.

Mas pedir pratos em um pais em que quase ninguem fala outra lingua que nao o chines e complicado. Principalmente se voce nao quiser experimentar algo pouco ortodoxo. E mais especialmente se o pais e conhecido por comer tudo que voa - e nao para no aeroporto - e tudo que esta no mar - e nao e navio ou submarino (a foto abaixo foi tirada no Do Dong, cujo carro chefe e o Pato de Pequim e e um dos restaurantes mais premiados de Pequim).

Tivemos experiencias surreais justamente porque optamos por enfrentar o desafio de frequentar os restaurantes autenticamente chineses, que nao sao frequentados por turistas e que por isso nao estao em guia nenhum. Todos eram no melhor estilo Chi-Fu da Liberdade (em todos os aspectos), com o detalhe de que nao tinha nada escrito em uma lingua conhecida.

E ainda se nao bastasse, sempre queriamos saber os ingredientes e a forma de preparo. Ainda que eu saiba ler o ideograma japones, que se originou do chines, nao conseguia decifrar nada alem do principal ingrediente.

E de uma certa forma, acho que isso foi positivo, caso contrario nao teriamos comido nada. Duvido que alguem em sa consciencia pediria uma "cabeca de leao" acompanhado de "formigas escaladora de arvores" ou um "arroz 8 tesouros". Pois sao estes os criativos e sofisticados nomes dados a almondega de porco e ao arroz chop-suey (nao sei qual o nome em portugues o das formigas).

E falando em criatividade, imaginem a situacao de comecar a fazer mimica no restaurante e todo o staff do restaurante, do gerente ao chef, parar tudo para se reunir a nossa volta com enormes pontos de interrogacao na cara para ver dois malucos gesticulando e falando uma lingua completamente estranha...

Mas o restaurante foi o menor dos desafios.

O mais engracado mesmo foi o longo processo para alugar bicicleta em Pequim. Ate descobrirmos como funcionava exatamente o sistema de deixar uma garantia equivalente a R$ 50,00, tivemos que abusar da mimica, de desenhos, organogramas e esquemas. Ao final da negociacao, que durou sem qualquer exagero uns 30 minutos, tinhamos uma verdadeira apresentacao em powerpoint com pelo menos uns 5 slides explicando minuciosamente o sistema de depositar a grana, receber um cartao magnetico, andar de bicicleta pela cidade por 2 horas, retornar o equipamento ao tiozinho, pagar a grana (miseros R$0,60 pelo periodo) e receber a garantia de volta.
Agora desafiamos qualquer um a ganhar de nos no Imagem&Acao.

domingo, 2 de setembro de 2007

De volta ao lar

Passei a ultima semana na China. Mas agora estou com preguica pra ficar contando historinha.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

O verao, ah o verao

Verao e epoca de praia, sol, calor, barulhos ensurdecedores do “semi” (nao sei o nome em portugues desse bicho estupido de cerca de 10 centimetros e olhos esbugalhados que vive mais de 10 anos debaixo da terra, de onde sai durante o verao para viver so alguns dias) e raspadinhas. E tambem epoca de festivais de fogos de artificio e yukata.

O primeiro festival foi realmente um aprendizado. No caminho notamos o quanto eramos mirins nesta historia. Enquanto levamos so a carteira, o celular e a esteirinha, todo o mundo tinha levado a despensa da casa para fazer farofa. E dentre os pros, existem os mais pros ainda, aqueles que levam a sala de jantar inteira. Juro, vimos um casal com um conjunto de mesa, cadeira, toalha de mesa, vasinho com flor, tapetinho e tudo no meio do terreno baldio onde foi realizado o espetaculo.

E nao e para menos toda esta preparacao. Tive que esperar mais de uma hora na fila para conseguir comprar uns bolinhos de lula. Mas o bom e que e todo mundo muito educado, nao ha briga, desorganizacao ou malandro querendo furar a fila.

Mas o mais interessante sao os codigos de vestuario. Foi-me dito por um colega de firma que se a mulher com quem voce esta tendo um casinho chama-lo para ir a um festival de fogos de artificio, e porque o casinho e mais serio. Agora, se ela nao so chama-lo para ir ao festival, mas for de yukata, vamos assim chamar de um kimono modelo verao, ao local, e porque a coisa ficou preta e a mulher quer casar contigo.


Verdade ou nao a teoria, o fato e que quase todo mundo estava de yukata. Sentimo-nos um pouco peixes fora d’agua, mas ainda assim o espetaculo foi interessante.

Para quem esta acostumado a lidar com nanotecnologia de ponta deve ser piada fazer fogos de artificio. Vi coisas nunca dantes vistas. Imaginem voces que o troco sobe, explode e da explosao resulta a cara do Mickey, Doraemon, Smiley Face, dentre outros personagens. Isso sem falar nas cachoeiras, explosoes coordenadas que pareciam mais coreografia do que fogos de artificio. Impressionante.

Enfim, daqui a alguns festivais, quando estivermos bem pro, pretendemos levar a sala de estar pra podermos assistir aos fogos deitados. Ambos de yukata, obvio.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Justica seja feita

Ouvi dizer que o termo “pontualidade britanica” deve-se ao Big Ben instalado no predio do Parlamento e ao fato dele estar localizado em Londres, onde passa o meridiano de Greenwich. A origem do termo, portanto, e cheio de simbologia, beira a fantasia e nao corresponde aos fatos, pois mesmo os britanicos nao sao tao pontuais assim. Ora, se a intencao do termo e representar precisao e pontualidade, a inspiracao deveriam ser os japoneses.

Aqui os minutos sao importantes, quica os segundos. O trem chega as 8h11 - e nunca as 8h10 ou 8h12 - e gasta 3 minutos contados no relogio para chegar a proxima estacao, exatamente como esta indicado nos mapas localizados nas plataformas, de onde voce demora exatamente 3 minutos para chegar a exposicao do Modigliani, na forma indicada no folheto do museu; o restaurante abre as 11-zero-zero, como anunciado na porta; a academia encerra as suas atividades as 23h00, portanto 22h30 e o limite para voce encerrar as suas atividades fisicas para que os funcionarios possam fazer a limpeza dos equipamentos e fechar a academia no horario determinado; as reunioes comecam as 17h15, nao mais ou menos as 17h ou entre 17h e 17h30; as 8h45 e 30 segundos voce pode ir ao trabalho porque a mesa que a loja prometeu que seria entregue ate as 8h45 ja esta devidamente instalada na sua sala de jantar.

E se eventualmente voce estiver perdido pelas ruas japonesas, pedir informacoes na rua e o interlocutor perguntar se voce esta de carro ou nao, pode ter certeza que a ideia dele nao e saber se a rua da mao ou nao. Outro dia a Sue pediu informacoes sobre como chegar a um determinado lugar e o cidadao se prontificou a desenhar um mapa, quase que com escalas, apontando o caminho mais facil e – claro - a indicacao dos minutos gastos em cada trecho: 2 minutos do ponto A ate B, mais 3 minutos do ponto B a C, de onde voce alcanca, explicava o mapa, o destino final em menos de 1 minuto (e ja que estamos tratando de precisao dos termos utilizados, acho que a “precisao suica” tambem merece uma revisao urgente para evitar injusticas...).

Para voce ser preciso e nao perder a reuniao, o trem ou o jantar, so mesmo tendo um relogio atomico de pulso. Ou simplesmente se programar para chegar ao local uns 6 minutos antes da hora determinada (e o que basta, partindo do pressuposto de que a margem de erro dos relogios mundias e de ate 5 minutos para mais ou para menos).

Outro dia em uma aula de conversacao em portugues (sim, tenho dado aulas para os meus colegas de firma) estava ensinando os meus alunos a dizerem as horas e disse a titulo exemplificativo que “o restaurante abre mais ou menos as 18 horas”. “Como isso e possivel?”; “Como e que voces se programam?”; “Hein?”; “Eu nao entendo...”. Foram mais ou menos com estas palavras de espanto que eles reagiram a explicacao de que o brasileiro costuma interpretar os ponteiros do relogio com uma certa flexibilidade (para nao dizer desleixo).

Definitivamente, “aproximadamente”, “cerca de”, “em torno de” ou “mais ou menos” sao termos que jamais sao utilizados no Japao quando se trata de marcacao de horas.

Alias vou ficando por aqui porque me programei para assistir ao telejornal das 20h17.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Sob o dominio do medo

Esta madrugada senti pela primeira vez um terremoto. Eram 4 da matina e acordei com o predio como um todo balancando lentamente para os lados, quase como um berco em que o bebe e ninado pela mae. Vivi esta experiencia por uns bons e longos 5 segundos. A Sue, com seu sono pesadissimo, nem tomou conhecimento...

Segundo a agencia meteorologica japonesa, o epicentro foi a 30 quilometros de profundidade e atingiu a marca de 5.3 graus na escala Richter. Mas hoje esta tudo normal, com excecao do fato das pessoas lembrarem que a qualquer momento algo pior pode acontecer e citando a coincidencia de um terremoto ter atingido Lima, no Peru, tambem na quarta-feira.

Somente uma explicacao mais detalhada sobre o que significa isso tudo (explicacao retirada do Wikipedia, portanto nao me responsabilizo por eventuais imprecisoes tecnicas)

"Escala Richter e uma escala logaritmica e a magnitude corresponde ao logaritmo da medida da amplitude das ondas sismicas de tipo P e S a 100 km do epicentro.

A formula utilizada e ML = logA - logA0 onde A representa a amplitude maxima medida no sismografo e A0 uma amplitude de referencia.

Assim, por exemplo, um sismo com magnitude 6 tem uma amplitude 10 vezes maior que um sismo de magnitude 5. Porem, o sismo de magnitude 6 liberta cerca de 31 vezes mais energia que o de magnitude 5.

Um terremoto de menos de 3,5 graus e apenas registrado pelos sismografos. Um entre 3,5 e 5,4 ja pode produzir danos. Um entre 5,5 e 6 provoca danos menores em edificios bem construidos, mas pode causar maiores danos em outros.

Ja um terremoto entre 6,1 e 6,9 na escala Richter pode ser devastador numa zona de 100 km. Um entre 7 e 7,9 pode causar serios danos numa grande superficie. Os terremotos acima de 8 podem provocar grandes danos em regioes localizadas a varias centenas de quilometros do epicentro.

Na origem, a escala Richter estava graduada de 1 a 9, ja que terremotos mais fortes pareciam impossíveis na California. Mas nao existe limite teorico a esta medida no que se refere a outras regioes do mundo, e por isso agora se fala de ‘escala aberta’ de Richter.”

Os moradores da regiao de Kanto, especialmente de Tokyo, vivem ha anos sob a constante ameaca de repeticao do Grande Terremoto de Kanto de 1923 que atingiu a impressionante marca de 8.3 graus na escala Richter (o terremoto de maior intensidade que se tem noticiais ocorreu em maio de 1960, no Chile, e superou o teto inicialmente estabelecido em 0.5 ponto, atingindo 9,5 graus), deixou para tras um cenario apocaliptico de guerra nuclear (as fotos acima sao da regiao de Ginza, exatamente onde moro hoje) e causou a morte de mais de 105.000 pessoas.

Mas o ser humano, essa praga que se alastra e domina qualquer canto deste planeta, acaba se acostumando as situacoes mais adversas. Acostuma-se ate a viver sob constante ameaca, seja ela da natureza, da miseria, da politica, da tecnologia, do terrorismo, do proprio homem.

Tres vivas a capacidade adaptativa e destrutiva do ser humano!!!

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Adoro ar condicionado

Aqui ta um calor Somaliano todos os dias. 35 graus a sombra e muita umidade...Dificil ate de respirar e impossivel dormir sem o ar ligado no talo...