Durante o verao, a empresa adota o programa "CoolBiz", permitindo que os funcionarios trabalhem sem gravata.
Mas no primeiro dia de calor pra valer, vi que o programa e um total fracasso. Frescura mesmo so senti quando sai do predio, ainda que la fora estivesse um sol de rachar e um calor infernal.
O calor era tanto que quando cheguei ao trampo vi um advogado suando em bicas, com a camisa toda empapada (pizza debaixo do braco e bobagem, no corpo dele tinha uma pizzaria inteira). Qualquer pessoa acharia que ele tinha caido no rio no caminho pro trabalho. O seu estado era tao deploravel que ninguem achava estranho o fato dele andar com uma toalha de banho pendurada em seu pescoco.
So espero que o mundo perceba a diferenca o esforco que nos, os milhares de infelizes que trabalham em uma empresa ecologicamente consciente que so libera o ar condicionado alguns minutos ao dia (quando a temperatura media atinge 28 graus centigrados), estamos fazendo para sermos menos agressivos ao meio-ambiente...
quinta-feira, 21 de junho de 2007
quarta-feira, 20 de junho de 2007
Billy's Boot Camp
Este e um teaser rolando na web para promover o "Billy's Boot Camp", uma serie de DVD de enorme sucesso entre as donas de casa japonesas.
Trata-se de um daqueles videos de exercicios, tipo aqueles protagonizados pela Jane Fonda no comeco dos anos 90.
A primeira vez que vi o comercial na TV desacreditei, trata-se do Billy Blanks, super canastrao que saiu em diversos filmes Bs produzidos na decada de 90 (tenho certeza que voce assistiu a alguns), mas sempre com um papel super secundario, sem ou quase sem falas (filmografia: http://www.imdb.com/name/nm0087593/).
Detalhe para a dublagem. Hilario ouvir um negao falando japones.
segunda-feira, 18 de junho de 2007
Deixa que eu empurro
Como e notorio, Toquio e dotada de um eficientissimo sistema de trens urbanos a precos razoaveis que e diariamente utilizado por todos os cidadaos em geral para ir ao trabalho, a academia, ao colegio ou a faculdade.
Dentre as 10 linhas de metro e incontaveis linhas de trem, o sistema conta tambem com a Yamanote Line, que circunda a regiao central de Toquio e passa estrategicamente por todas as principais estacoes da cidade, funcionando como um meio de interligar de forma eficiente todo a malha ferroviaria e metroviaria da cidade. E por passar por todas as estacoes estrategicas da cidade mais povoada do mundo, ela acabou se tornando a linha de trem mais abarrotada do mundo.
A eficiencia do sistema e inegavel, tanto que em Toquio, hora de rush nao e sinonimo de congestionamento de carros.
Mas muito desta eficiencia deve-se ao incansavel trabalho dos funcionarios que ficam nas plataformas nas horas de rush, facilmente identificados pelo quepe e suas luvas imaculadamente brancas. Eles dominam como ninguem o eficiente sistema push, que consiste numa tomada de um leve impulso para empurrar as costas do cidadao que esta saindo do vagao, assim meio fugidio, de forma a permitir o fechamento da porta. Por conta do leve empurrao, num instante o espaco que voce jura nao caber mais ninguem e imediatamente dominado por pelo menos mais 30 pessoas. Juro que o espaco disponivel para o encarcerado no sistema prisional brasileiro e um latifundio perto do aperto (literalmente) que toda manha os japoneses passam.
Ainda que pareca aterrorizante, se voce nao pegar um trem na hora do rush, voce nao pode dizer que realmente vivenciou o que e andar de trem em Toquio. Ainda que isto custe um ou outro osso da costela quebrado (juro que nao e lenda).
Dentre as 10 linhas de metro e incontaveis linhas de trem, o sistema conta tambem com a Yamanote Line, que circunda a regiao central de Toquio e passa estrategicamente por todas as principais estacoes da cidade, funcionando como um meio de interligar de forma eficiente todo a malha ferroviaria e metroviaria da cidade. E por passar por todas as estacoes estrategicas da cidade mais povoada do mundo, ela acabou se tornando a linha de trem mais abarrotada do mundo.
A eficiencia do sistema e inegavel, tanto que em Toquio, hora de rush nao e sinonimo de congestionamento de carros.
Mas muito desta eficiencia deve-se ao incansavel trabalho dos funcionarios que ficam nas plataformas nas horas de rush, facilmente identificados pelo quepe e suas luvas imaculadamente brancas. Eles dominam como ninguem o eficiente sistema push, que consiste numa tomada de um leve impulso para empurrar as costas do cidadao que esta saindo do vagao, assim meio fugidio, de forma a permitir o fechamento da porta. Por conta do leve empurrao, num instante o espaco que voce jura nao caber mais ninguem e imediatamente dominado por pelo menos mais 30 pessoas. Juro que o espaco disponivel para o encarcerado no sistema prisional brasileiro e um latifundio perto do aperto (literalmente) que toda manha os japoneses passam.
Ainda que pareca aterrorizante, se voce nao pegar um trem na hora do rush, voce nao pode dizer que realmente vivenciou o que e andar de trem em Toquio. Ainda que isto custe um ou outro osso da costela quebrado (juro que nao e lenda).
domingo, 17 de junho de 2007
The Sex & The Economy
As pesquisas que mostram os japoneses como o povo que menos faz sexo no Japao podem dar a falsa impressao de que eles sao assexuados.
A diferenca e que o sexo e encarado de uma forma diferente.
Se japones fosse realmente assexuado, como se explicariam as inumeras revistas pornos, AVs (corruptela de adult videos) que sao livremente vendidas nos combinis (mais uma corruptela, desta vez para convenience stores)? Como explicar a existencia de casas de fetiches e a fortuna que os cabaret clubs fazem?
O sexo so e reprimido. Mas por culpa de quem?
As mulheres, por um lado, tem um desejo incontido de ser sempre crianca. Sempre falam como uma, andam como uma, agem como uma e quase se vestem como uma. Nao ha demonstracao de qualquer traco de sensualidade.
O homem, por outro, gastam fortunas com os cabaret clubs e as suas cabagirls - mocas cujo trabalho e faze-los beber mais e mais, dando risada de suas historias pateticas e mostrando-lhes discretamente um pedacinho do seu corpo atraves do decotinho ou fendinha de seu vestido, que nao precisa ser tirado.
Os homens, alem disso, sao frios ao extremo e machistas como ninguem. Mulher boa nao e aquela que e uma puta na cama e uma dama fora dela, mas aquela mulherzinha submissa que fica em casa cuidando da casa e dos filhos.
As mulheres, por conta disso tudo, tem dor de cabeca a noite e descontam todo o seu fogo no cartao de credito. Quem tem orgasmo sao os vendedores das grifes europeias.
E para dar conta de todos estes gastos, homens e mulheres trabalham mais e mais e nao tem tempo para investir em relacionamentos pessoais.
Ou seja, gracas a existencia dos japoneses tarados e das japonesas consumistas, o sexo se transformou em mais um elemento importante da economia.
A diferenca e que o sexo e encarado de uma forma diferente.
Se japones fosse realmente assexuado, como se explicariam as inumeras revistas pornos, AVs (corruptela de adult videos) que sao livremente vendidas nos combinis (mais uma corruptela, desta vez para convenience stores)? Como explicar a existencia de casas de fetiches e a fortuna que os cabaret clubs fazem?
O sexo so e reprimido. Mas por culpa de quem?
As mulheres, por um lado, tem um desejo incontido de ser sempre crianca. Sempre falam como uma, andam como uma, agem como uma e quase se vestem como uma. Nao ha demonstracao de qualquer traco de sensualidade.
O homem, por outro, gastam fortunas com os cabaret clubs e as suas cabagirls - mocas cujo trabalho e faze-los beber mais e mais, dando risada de suas historias pateticas e mostrando-lhes discretamente um pedacinho do seu corpo atraves do decotinho ou fendinha de seu vestido, que nao precisa ser tirado.
Os homens, alem disso, sao frios ao extremo e machistas como ninguem. Mulher boa nao e aquela que e uma puta na cama e uma dama fora dela, mas aquela mulherzinha submissa que fica em casa cuidando da casa e dos filhos.
As mulheres, por conta disso tudo, tem dor de cabeca a noite e descontam todo o seu fogo no cartao de credito. Quem tem orgasmo sao os vendedores das grifes europeias.
E para dar conta de todos estes gastos, homens e mulheres trabalham mais e mais e nao tem tempo para investir em relacionamentos pessoais.
Ou seja, gracas a existencia dos japoneses tarados e das japonesas consumistas, o sexo se transformou em mais um elemento importante da economia.
quarta-feira, 13 de junho de 2007
Janela pra alma
De nada adianta voce aprender como se fala janela em japones porque muito provavelmente voce nao vai usar essa palavra, pelo menos enquanto estiver em Toquio.
Como ja tive a oportunidade de comentar num post antigo, pode-se passar o dia inteiro nas cidades subterraneas que aqui existem, local onde provavelmente voce vai comecar o seu dia e onde obviamente nao existe janela alguma.
Saindo da cidade subterranea (mas permanecendo na parte subterranea), voce muito provavelmente ou i) vai andar de metro, onde ate se avista uma janela, ainda que inexista qualquer coisa interessante para se ver (garanto que a paisagem que eu vejo todos os dias e a mesma que qualquer usuario do metro de SP ou de qualquer outro lugar do mundo ve), ou ii) vai para o trabalho, onde sua mesa estara estrategicamente posicionada longe da janela (mas garanto que sentar perto da janela nao muda muito a situacao, pois provavelmente a persiana que permanece fechada o dia inteiro nao permitira voce saber se la fora e dia ou noite, se faz sol, chove ou neva).
Saindo do trabalho (de metro) muito provavelmente voce vai acabar caindo em algum izakaya ou em algum restaurante localizado dentro de um predio (tanto um como o outro) e vai acabar sentando em algum lugar de onde nao se ve janela alguma.
La, se voce der sorte de encontrar alguem do sexo oposto dando mole e a noite terminar bem (o que provavelmente nao vai acontecer - nao pela sua incompetencia ou pela total ausencia de atrativo fisico; deixo para contar isso outro dia), e provavel que voce acabe indo parar em um Love Hotel (auto-explicativo) sem janela alguma.
E depois ira para casa de metro com a sua janela para lugar nenhum.
Como ja tive a oportunidade de comentar num post antigo, pode-se passar o dia inteiro nas cidades subterraneas que aqui existem, local onde provavelmente voce vai comecar o seu dia e onde obviamente nao existe janela alguma.
Saindo da cidade subterranea (mas permanecendo na parte subterranea), voce muito provavelmente ou i) vai andar de metro, onde ate se avista uma janela, ainda que inexista qualquer coisa interessante para se ver (garanto que a paisagem que eu vejo todos os dias e a mesma que qualquer usuario do metro de SP ou de qualquer outro lugar do mundo ve), ou ii) vai para o trabalho, onde sua mesa estara estrategicamente posicionada longe da janela (mas garanto que sentar perto da janela nao muda muito a situacao, pois provavelmente a persiana que permanece fechada o dia inteiro nao permitira voce saber se la fora e dia ou noite, se faz sol, chove ou neva).
Saindo do trabalho (de metro) muito provavelmente voce vai acabar caindo em algum izakaya ou em algum restaurante localizado dentro de um predio (tanto um como o outro) e vai acabar sentando em algum lugar de onde nao se ve janela alguma.
La, se voce der sorte de encontrar alguem do sexo oposto dando mole e a noite terminar bem (o que provavelmente nao vai acontecer - nao pela sua incompetencia ou pela total ausencia de atrativo fisico; deixo para contar isso outro dia), e provavel que voce acabe indo parar em um Love Hotel (auto-explicativo) sem janela alguma.
E depois ira para casa de metro com a sua janela para lugar nenhum.
sexta-feira, 8 de junho de 2007
The Rambler
Este e um e-mail preparado semanalmente por um advogado indo-canadense que trabalha comigo, onde ele conta curiosidades sobre o cotidiano em Toquio. Achei interessante dividir com os poucos leitores deste blog a visao dos gringos (como se eu nao fosse) sobre a vida no Japao.
"Volume I - Issue I
Elevator Etiquette
This week we will be discussing 'elevator etiquette' in response to a question received from Claury Clervenie of Boston:
[Please note that we at Rambler Publications take confidentiality very seriously and therefore the real names of those who submit questions or comments are never used in our publications. Any and all resemblance to actual people, past or present, is strictly coincidental.]
She writes: "Dear Rambler, A co-worker of mine recently returned from a business trip to Tokyo and told me that he was impressed by the elevators there, and that the ride was quite an experiece. Just as he was about to explain, his blackberry went off and he rushed to a meeting. Not being that fond of this particular co-worker, I never asked him to elaborate (and have generally been ignoring him since). However, I have always remained curious about the topic. Can you help?"
Dear Claurie,
Every morning, when I get to the lobby of my office building, I am forced to enter an elevator with at least 39 other people.
The unwritten rule (or maybe written, I cannot read Japanese so am not so sure what's written on the wall) is that you must step in backwards, and keeps walking backwards until your back is either pressed against the back wall, or against the person behind you (who is either pressed against the back wall, or against another who is pressed against the back wall, I'm sure you follow). There must always be contact, directly or indirectly, with the back wall. Seeing as most Japanese people are rather thin, this rule of thumb results in five parallel rows of 8 or so people, all facing the door, in every elevator (with each elevator only slightly larger than the elevator you use at work i'm sure). As I can't read the warning signs regarding weight limits, I don't know if I have anything to worry about.
Still, I admit that I get nervous when the elevator bounces a little as the last few people enter before the doors close (especially when "Sumo Joe" from accounting is the last one in). It gets hot, and about 30 people have to get out and back in at each floor because, for some odd reason, the people who work on the lower floors all seem to have an affinity for being directly in contact with the back wall.
Further, please note that there is no talking on elevators (a picture of a duck with its beak tied shut by a ribbon is found in the elevator), so informing others that it's your floor and you want to get out is sometimes a tricky process. I have on occasion missed my floor, and have had to ride back down. This is common, and nothing to be ashamed of. Speaking strictly with Japanese body language is difficult, and takes much practice to master.
Though I am uncertain as to what exactly impressed your 'not-so-nice' co-worker, at least now you know all there is to know about elevator etiquette in Tokyo.
The Rambler has spoken."
"Volume I - Issue I
Elevator Etiquette
This week we will be discussing 'elevator etiquette' in response to a question received from Claury Clervenie of Boston:
[Please note that we at Rambler Publications take confidentiality very seriously and therefore the real names of those who submit questions or comments are never used in our publications. Any and all resemblance to actual people, past or present, is strictly coincidental.]
She writes: "Dear Rambler, A co-worker of mine recently returned from a business trip to Tokyo and told me that he was impressed by the elevators there, and that the ride was quite an experiece. Just as he was about to explain, his blackberry went off and he rushed to a meeting. Not being that fond of this particular co-worker, I never asked him to elaborate (and have generally been ignoring him since). However, I have always remained curious about the topic. Can you help?"
Dear Claurie,
Every morning, when I get to the lobby of my office building, I am forced to enter an elevator with at least 39 other people.
The unwritten rule (or maybe written, I cannot read Japanese so am not so sure what's written on the wall) is that you must step in backwards, and keeps walking backwards until your back is either pressed against the back wall, or against the person behind you (who is either pressed against the back wall, or against another who is pressed against the back wall, I'm sure you follow). There must always be contact, directly or indirectly, with the back wall. Seeing as most Japanese people are rather thin, this rule of thumb results in five parallel rows of 8 or so people, all facing the door, in every elevator (with each elevator only slightly larger than the elevator you use at work i'm sure). As I can't read the warning signs regarding weight limits, I don't know if I have anything to worry about.
Still, I admit that I get nervous when the elevator bounces a little as the last few people enter before the doors close (especially when "Sumo Joe" from accounting is the last one in). It gets hot, and about 30 people have to get out and back in at each floor because, for some odd reason, the people who work on the lower floors all seem to have an affinity for being directly in contact with the back wall.
Further, please note that there is no talking on elevators (a picture of a duck with its beak tied shut by a ribbon is found in the elevator), so informing others that it's your floor and you want to get out is sometimes a tricky process. I have on occasion missed my floor, and have had to ride back down. This is common, and nothing to be ashamed of. Speaking strictly with Japanese body language is difficult, and takes much practice to master.
Though I am uncertain as to what exactly impressed your 'not-so-nice' co-worker, at least now you know all there is to know about elevator etiquette in Tokyo.
The Rambler has spoken."
terça-feira, 5 de junho de 2007
10 coisas que sinto falta do Brasil
Outro dia o pessoal da area de negocios aeroespaciais me chamou para jantar por conta de um fechamento (que acabou pondo fim a uma historia de mais de 20 anos de relacionamento entre a empresa em que trabalho e uma companhia brasileira, relacionamento este que ocasionou o ingresso da empresa na carteira de clientes do escritorio e, por consequencia, a minha vinda pra ca) e acabamos indo a uma churrascaria.
Eis que me perguntam se estava sentindo falta da comida brasileira. Para nao fazer desfeita, tive que mentir e dizer que sim, muita falta e que foi otima a ideia de ir a um lugar em que pudesse matar as saudades da comida brasileira.
Dai parei para pensar do que sinto falta do Brasil. Eis a lista:
- Familia (mais do que nunca);
- Amigos (mandem noticias, seus desgracados);
- Calor humano (ja tema de algumas reclamacoes neste espaco);
- Flexibilidade (idem);
- Diversidade racial (japones realmente e tudo igual);
- Praia (as daqui sao realmente lamentaveis);
- Restaurante para almocar ou jantar mais tarde (incrivel, mas na cidade que acredito existir a maior quantidade de restaurantes do mundo, dificil achar um lugar para almocar as 3 da tarde de um domingo ou as 10 e 30 da noite de um sabado a noite);
- Dirigir (achei que nunca fosse achar isso, mas usar so transporte coletivo, ainda que pertencente a um sistema eficientissimo, as vezes enche o saco);
- Lurdes (que 2 vezes por semana deixava a casa nos trinques);
- Frutas, verduras e legumes baratos e fartos (por um descuido, quase paguei 30 reais por um mini-melao outro dia).
Confesso que me assustei com a dificuldade em listar as 10 coisas...
Mas apesar disso, tem coisas que nao da para achar em outros lugares do mundo. E e por conta destas coisas simples da vida e que nao da para trocar o Brasil por nenhum outro pais, por mais organizado, pacifico e avancado que ele seja.
Eis que me perguntam se estava sentindo falta da comida brasileira. Para nao fazer desfeita, tive que mentir e dizer que sim, muita falta e que foi otima a ideia de ir a um lugar em que pudesse matar as saudades da comida brasileira.
Dai parei para pensar do que sinto falta do Brasil. Eis a lista:
- Familia (mais do que nunca);
- Amigos (mandem noticias, seus desgracados);
- Calor humano (ja tema de algumas reclamacoes neste espaco);
- Flexibilidade (idem);
- Diversidade racial (japones realmente e tudo igual);
- Praia (as daqui sao realmente lamentaveis);
- Restaurante para almocar ou jantar mais tarde (incrivel, mas na cidade que acredito existir a maior quantidade de restaurantes do mundo, dificil achar um lugar para almocar as 3 da tarde de um domingo ou as 10 e 30 da noite de um sabado a noite);
- Dirigir (achei que nunca fosse achar isso, mas usar so transporte coletivo, ainda que pertencente a um sistema eficientissimo, as vezes enche o saco);
- Lurdes (que 2 vezes por semana deixava a casa nos trinques);
- Frutas, verduras e legumes baratos e fartos (por um descuido, quase paguei 30 reais por um mini-melao outro dia).
Confesso que me assustei com a dificuldade em listar as 10 coisas...
Mas apesar disso, tem coisas que nao da para achar em outros lugares do mundo. E e por conta destas coisas simples da vida e que nao da para trocar o Brasil por nenhum outro pais, por mais organizado, pacifico e avancado que ele seja.
domingo, 3 de junho de 2007
Doutores na TV
Na verdade o post abaixo foi inspirado num programa de TV que estou assistindo no momento, em que a pergunta envolvia a possibilidade de uma pessoa ganhar uma acao contra a empresa que o transfere para uma subsidiaria (o que implicaria em reducao do salario) por conta dele ter largado uma reuniao importante no meio por conta do nascimento de seu filho.
Trata-se de um programa de auditorio, de perguntas e respostas, em que sao apresentadas situacoes do cotidiano e os convidados, atores e artistas em geral, tem que responder se determinada decisao ou ato tomado pelo protagonista da simulacao dramatizada e juridica ou anti-juridica. E os "jurados" que analisam as respostas dadas sao advogados que explicam a juridicidade ou anti-juridicidade da situacao simulada. No Brasil isso so seria imaginavel na TV Justica, mas acreditem, isso passa numa das principais redes abertas do Japao.
Mas o engracado das TVs japoneses nao sao essas esquisitices. O engracado mesmo sao os sons que o auditorio solta. A cada palavra surpreendente, segue-se um "eeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee" num tom crescente e a cada declaracao esclarecedora, um "ahhhhhhhhhhhhhhhh", tambem em tom crescente. E o programa inteiro uma sequencia infinita de "eeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee" e "ahhhhhhhhhhhhhhhh". Para quem tem NHK em casa, vale a pena ver algum programa so para acompanhar estes "eeeeeeeeeeeee"s e "ahhhhhhhhhhhhhh"s so para lembrar deste post e dar risada.
Trata-se de um programa de auditorio, de perguntas e respostas, em que sao apresentadas situacoes do cotidiano e os convidados, atores e artistas em geral, tem que responder se determinada decisao ou ato tomado pelo protagonista da simulacao dramatizada e juridica ou anti-juridica. E os "jurados" que analisam as respostas dadas sao advogados que explicam a juridicidade ou anti-juridicidade da situacao simulada. No Brasil isso so seria imaginavel na TV Justica, mas acreditem, isso passa numa das principais redes abertas do Japao.
Mas o engracado das TVs japoneses nao sao essas esquisitices. O engracado mesmo sao os sons que o auditorio solta. A cada palavra surpreendente, segue-se um "eeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee" num tom crescente e a cada declaracao esclarecedora, um "ahhhhhhhhhhhhhhhh", tambem em tom crescente. E o programa inteiro uma sequencia infinita de "eeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee" e "ahhhhhhhhhhhhhhhh". Para quem tem NHK em casa, vale a pena ver algum programa so para acompanhar estes "eeeeeeeeeeeee"s e "ahhhhhhhhhhhhhh"s so para lembrar deste post e dar risada.
Workaholic
Empresa japonesa tem as suas peculiaridades.
Pelo que eu sinto das conversas do dia-a-dia, os funcionarios sao em sua grande maioria uns funcionarios publicos (so que de um nivel intelectual mais alto e com mais vontade de trabalhar). A grande maioria faz ali so o que tem que fazer, cai a caneta as 17h30, mas mesmo assim vai subindo na carreira. Ha um claro nivelamento por baixo. Mas as empresas sao o que sao e sustentam a segunda maior economia do mundo. O diferencial realmente e o nivel das pessoas e a seriedade com que elas encaram o trabalho (mesmo que seja para fazer so aquilo que precisa ser feito).
Mas quem faz mais do que o necessario realmente trampa muito. E eu, por sorte ou azar, estive envolvido esta semana em alguns projetos com pessoas assim. Resultado, quase todos os dias voltando no ultimo trem, pouco antes dameia-noite.
Levei algumas broncas por conta disso e lembrei de uma amiga minha brasileira que esta noiva de um japones. Talvez o casorio nao saia porque para o seu noivo, o trabalho esta acima de qualquer coisa, inclusive da familia. Nao quero virar uma pessoa assim, apesar de as vezes o sistema levar a isso. Aqui no Japao, como eu disse, chefe e chefe em qualquer momento do dia ou da vida, e ate quando ha convite para jantar, beber, etc., vc tem que encarar tudo isso como parte do trabalho.
Vida dura, vou te contar. Sempre fico naquele esquema de querer ir pra casa o quanto antes porque em casa tem quem me espere, mas nao posso sair na frente porque isso pega extremamente mal. E um dilema constante....
Pelo que eu sinto das conversas do dia-a-dia, os funcionarios sao em sua grande maioria uns funcionarios publicos (so que de um nivel intelectual mais alto e com mais vontade de trabalhar). A grande maioria faz ali so o que tem que fazer, cai a caneta as 17h30, mas mesmo assim vai subindo na carreira. Ha um claro nivelamento por baixo. Mas as empresas sao o que sao e sustentam a segunda maior economia do mundo. O diferencial realmente e o nivel das pessoas e a seriedade com que elas encaram o trabalho (mesmo que seja para fazer so aquilo que precisa ser feito).
Mas quem faz mais do que o necessario realmente trampa muito. E eu, por sorte ou azar, estive envolvido esta semana em alguns projetos com pessoas assim. Resultado, quase todos os dias voltando no ultimo trem, pouco antes dameia-noite.
Levei algumas broncas por conta disso e lembrei de uma amiga minha brasileira que esta noiva de um japones. Talvez o casorio nao saia porque para o seu noivo, o trabalho esta acima de qualquer coisa, inclusive da familia. Nao quero virar uma pessoa assim, apesar de as vezes o sistema levar a isso. Aqui no Japao, como eu disse, chefe e chefe em qualquer momento do dia ou da vida, e ate quando ha convite para jantar, beber, etc., vc tem que encarar tudo isso como parte do trabalho.
Vida dura, vou te contar. Sempre fico naquele esquema de querer ir pra casa o quanto antes porque em casa tem quem me espere, mas nao posso sair na frente porque isso pega extremamente mal. E um dilema constante....
Assinar:
Postagens (Atom)
